Qual é a principal atividade da Cosa Nostra?

Em uma palavra: extorsão. 

Para a Máfia Siciliana, o “pizzo” é tudo 

Os chefes podem não mexer com as drogas, não lavar o dinheiro, podem desistir de tudo, mas se desistem do PIZZO, significa que a Cosa Nostra não existe mais. Com a extorsão, que em Palermo é chamada de “messa a posto” (ajeitar), a Máfia manifesta-se e controla seu território. 

Il pizzo” ou a chamada proteção, consiste em uma atividade criminosa, em geral, destinada a obter, de um operador econômico, uma taxa periódica em troca de uma suposta proteção oferecida. 

Aqueles que falam do “pizzo” como uma atividade marginal da organização, demonstram que conhecem pouco da Cosa Nostra. 

Quem paga por proteção em Palermo? 

Todos. Aqueles que se opõem ainda são poucos, bem poucos. 

Quando alguém abre um negócio – uma loja, uma pequena fábrica ou qualquer empresa –, depois de solicitar as licenças (às vezes antes), de comprar a mercadoria e contatar os clientes, a suposta vítima começa a se preocupar se alguém veio cobrar  a “messa a posto”. 

E então a pessoa fica com medo, se pergunta por que ninguém veio se apresentar, começa a pesquisar junto aos outros comerciantes porque não recebeu ainda nenhuma solicitação. Muitas vezes, é ela, a vítima, quem tenta acertar antes que alguém se manifeste. 

Porque, assim, sabe que não terá problemas. Sabe que pode se sentir confortável junto a sua família.  

Quanto custa o pizzo a um comerciante?

Depende de quão grande é o negócio e se as vítimas tê relações de “amizade” com os extorsionários. A mesada a ser paga por um revendedor médio é de cerca de € 700 – ou cerca de R$ 2.800. É chamada de mesada, mas, muitas vezes, é paga a cada noventa dias. 

É como um imposto, uma taxa, mas que não pode ser sonegada. Os coletores de débito são implacáveis: quem não paga corre grandes riscos, quem paga está garantido direito sobre a sua própria vida. 

As taxas mudam de uma área para outra, de um grupo mafioso a outro. O proprietário de uma loja de joias ou de uma loja elegante também pode pagar até 2 ou 3 mil euros por mês – cerca de 10 mil reais. O “pizzo” sobre um outlet pode chegar até 40 mil reais. 

Aqueles que não podem pagar agora, pagam em parcelas. Os chefes são “compreensivos”, ou seja, concedem extensões de subvenção, concordam com planos de pagamento.  Às vezes, dão algum desconto. No Natal e na Páscoa é preciso resolver tudo. Estão isentos do pizzo apenas os comerciantes que têm uma morte na família. 

Quando o comerciante não corre atrás para pagar, chega uma ligação: “Você tem que procurar alguém”. Por alguns dias, nada acontece. Então, numa manhã, o comerciante vai levantar as portas da loja, coloca a chave na fechadura e não consegue abrir. No buraco, há uma cola de secagem rápida. 

É o sinal de que vai chegar alguém para exigir a “messa a posto”. Nos últimos anos, a arma mais silenciosa da máfia do pizzo era a cola. Após os massacres, depois de tantas mortes, Cosa Nostra mudou sua estratégia, mesmo em extorsões. 

Não quer mais fazer barulho. Apenas cola. A essa altura, o comerciante sua frio. E, finalmente, se apresentam. É geralmente um homem, bem-vestido, educado e de boas maneiras.  

Quase nunca fala de dinheiro, de mesada. Simplesmente solicita uma oferta – para os presos, para os honorários dos advogados, para a festa do bairro. 

Alguém paga tudo de uma vez, outro vai em busca de um amigo para ter um desconto sobre a mesada. O pizzo não é apenas uma maneira de acumular riquezas: é, sobretudo, a afirmação de poder.  

Pagam todosaté mesmo os mafiosos. Pode parecer paradoxal, mas é a regra. Cosa Nostra baseia a sua força sobre regras. E a regra diz que se um mafioso quer abrir um negócio ou um canteiro de obras em uma área onde comanda outra família diferente da sua, também deve pagar.  

Mesmo Giovanni Brusca, o homem do massacre de Capaci, pagava dinheiro de proteção para uma obra em um território que não era dele. E esta é a forma mais perfeita de pragmatismo mafioso.

Existe alguém que não pague o ‘pizzo? Quais as consequências?

Nos últimos anos, tem havido mais e mais comerciantes que decidiram não se curvar. São uns 70 em toda Palermo. Se de cem comerciantes há um que não paga, para Cosa Nostra cai nos custos e riscos do negócio. 

Mas, se esse alguém, em vez de calar a boca, faz uma “batalha” contra o pizzo, então é um mau exemplo para todos os outros. Pode se tornar alvo político ou militar da organização. Como aconteceu há quase vinte anos a Libero Grassi, um empresário do ramo têxtil. 

Não só não havia pagado o pizzo, como tinha ido à televisão para acusá-los. Em 29 de agosto de 1991, o mataram. Poucos dias antes do assassinato, Cozzo Salvatore, presidente da Associação de Industriais de Palermo o repreendeu publicamente, porque fazia “muito barulho.”  

E outro membro da Associação tinha vindo a dizer: “Se todos nós pagamos, pagamos menos”. 

Como funciona o esquema de proteção? Como se coletam e onde vai parar o dinheiro da “messa posto”?

Normalmente, o chantagista tem um registro limpo. Para fazer esse trabalho tem um salário de cerca de € 1.000 – R$ 4 mil – por mês. Enquanto isso, é monitorado para ver se um dia também será um Homem de Honra. 

Palermo é um ginásio de extorsões. Muitas vezes, lhe é permitido também traficar drogas por conta própria, enquanto dá a volta para a “messa a posto”. Tudo o que o cobrador de dívidas recolhe, vai para o chefe da família que controla a área. 

Um chefe como Salvatore Lo Piccolo, do distrito de San Lorenzo-Tommaso Natale, tinha em seu serviço 400 cobradores de dívidas. Descobriu-se que Lo Piccolo teve um volume de negócios de 2,5 milhões de euros – cerca de 10 milhões de reais – por mês apenas com extorsão. O procurador nacional Pietro Grasso o chamou de “o custo do medo”. 

O Racket controla todo o mercado?

Em Palermo não existe um mercado livre. Cosa Nostra o condiciona a níveis inimagináveis para aquele que não é siciliano ou que não vive na Sicília. 

Apesar da crise profunda que a Cosa Nostra está enfrentando, o pizzo nunca para. E com as mesmas regras para sempre. Há comerciantes que pagam, geração após geração, por mais de 30 anos. Em 1970, um mafioso exigia o pizzo a um comerciante? Hoje, o filho do mesmo mafioso pede o pizzo ao filho do mesmo comerciante. 

Gaspare Mutolo, ouvido em 1993 pela Comissão Parlamentar Antimáfia, lembrou: “Em Palermo, as pessoas são muito educadas em pagar.” Ele queria dizer que, considerando todas as coisas, a vítima da extorsão também tem sua própria vantagem: está convencida de perder menos com a proteção dos Boss do que com a proteção do Estado. 

Aqui está o resumo que faz Maurizio De Lucia, o magistrado que por 18 anos investigou o Racket em Palermo: “Para a organização mafiosa, [o Racket] é essencialmente um meio de controle social, um encorajamento das relações, de lealdade e reconhecimentos. 

É o canal por meio do qual Cosa Nostra entra no negócio lícito. No “pacote de segurança” da Máfia S/A existe a política contra furto, roubo e danos, e também um contrato de fornecimento, um centro de trabalho muito especial, uma linha de crédito constantemente aberta. 

Amico, o que achou de conhecer os detalhes sobre o esquema de proteção da Máfia? Comente abaixo e ciao! 

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