O que leva um campeão de UFC a simpatizar com a máfia? O caso de Conor McGregor

Um cara que não poupa ostentação em suas fotos de jatinho, irreverência fazendo pose de Armor King (Tekken) mas que pode revelar um lado obscuro quando o assunto é relações com a máfia.

Ao nocautear nosso brazuca e bicampeão peso-pena José Aldo, o irlandês Conor McGregor conquistou o título de “The Notorious”. O motivo? ― a luta só durou 13 segundos. Sem dúvidas McGregor é um dos melhores lutadores do planeta; um cara que não fala pouco, mas faz bonito com os punhos. “O Notório” faz bem jus ao nome: tem o costume de fazer referências à cultura gângster para se fazer entender melhor… De onde vem tal fascinação? Teria alguma pista em seu país natal, a Irlanda? Que ligações reais teria com mafiosos?

Uma carreira de sucesso

Conforme foi ganhando proeminência nos campeonatos Ultimate Fighting Championship (UFC) ― organização privilegiada nas Artes Marciais Mistas ou MMA ―, McGregor jurou “não apenas fazer parte” das lutas competitivas, mas, “assumir o comando do jogo”.

E ele manteve sua promessa, nocauteando o campeão peso-pena José Aldo, um homem que seguiu invicto por mais de uma década, em apenas 13 segundos e quebrando recordes de pay-per-view a cada evento que participou daí em diante.

Ao longo de sua carreira como lutador, McGregor fez frequentes referências à cultura gangster. Quer por imitar o estilo de vida e aparência ou por rotular seus oponentes de forma degradante e desonrante, como fez com Nate Diaz, o qual chamou de “um gângsterzinho cholo (ou de cor) do gueto”.

Mas, ele acrescentou: “Apesar disso ele tanto treina crianças como mestre de jiu-jitsu nas manhãs de domingo, como faz passeios de bike com idosos. Ele faz sinais de gangues com a mão direita e balões de animais com a mão esquerda. Você é de grande crédito para a comunidade”.

Se Diaz é um “gângster cholo do gueto”, então McGregor é um gangster mochileiro. Em sua própria conta do Instagram, McGregor mostra que tira um pouco de sarro com todo mundo. Chegou até mesmo a acusar Diaz de ter estilo mexicano.

Quando ele enfrentou o (então) campeão peso-leve do UFC, Rafael Dos Anjos, em janeiro de 2016, McGregor figurou nas telinhas com uma blusa do mesmo estilo que a do narcisista mexicano Joaquin Guzman, “El Chapo”. Para aqueles que porventura não sacaram a referência, McGregor até tornou-a óbvia, posando do mesmo jeitinho que El Chapo posara em sua foto com o ator Sean Penn, após sua infame entrevista para a revista Rolling Stone, como podem bem ver na figura 1.

E para aqueles que não acompanham o lutador nas redes sociais ainda, saibam que McGregor deixou claro em sua página do Instagram: compartilhou fotos no estilo face-off (aquele estilo clássico do UFC, em que há um encara-encara, antes das lutas…) com as legendas “El Chapo Jr.” e “Mantendo os Guzmans” (isto é, os bigodóns e barbicha mexicanos).

Universos paralelos

Conor Mcgregor vs scarface

Figura 2

Além de ser bem-versado nos modos mexicanos de cultura gângster e narcótica, ele também conhece sua cultura pop local. Ele tem uma foto posando em seu roupão de banho, embaixo de uma luminária com contas pendentes, com uma arma grandona nas mãos. Ele intitulou a foto: “Você precisa de pessoas como eu”, uma referência ao bordão de Scarface (quer saber mais sobre Scarface? Clique, vale a pena assistir!), o filme sobre a ascensão e queda de um narcotraficante cubano-americano, estrelado por Al Pacino.

Ele mesmo mesclou seu comentário com o exemplo do gangster na foto ao lado (figura 2), que ele compartilhou em seu Instagram com a legenda: “Coloque nossa luta na bolsa e afaste-se do veículo”.

Para um homem como McGregor, são os gângsteres que ditam as regras quando se trata de dominar um negócio por qualquer meio necessário. Mas, é claro: alguém que afirma estar aqui para “assumir o comando do jogo”, em se tratando de luta, gostaria mesmo da atitude mafiosa, e a exibiria quando pudesse.

Lutadores e gângsteres têm tido uma forte ligação desde os primórdios esportivos. Sejam boxeadores ou lutadores de MMA: não importa. Gângsteres e lutadores têm cercado uns aos outros e demonstrado respeito mútuo pelos poderes uns dos outros.

Além disso, eles oferecem oportunidades de negócios uns para os outros.

Muitos chefes de máfia procuram novos talentos para fortalecer suas fileiras de comandados, e os lutadores estão no topo da lista rascunhada. Muitos dos lutadores mais talentosos do esporte viram suas carreiras descarriladas por atos criminosos a mando de gângsteres.

Quando você está fazendo algumas centenas de dólares em uma luta, o dinheiro sombrio e sujo pode ser muito tentador. Especialmente quando gângsteres fazem-no parecer bem fácil de arrematar. “Você só tem que se manter de pé lá e fazer o durão”, “Apenas carregue esta bolsa do ponto A ao ponto B”, “Apenas dê umas porradas neste cara, um pouquinho”. Dinheiro fácil, sem preocupações.

Certamente não existe essa de dinheiro fácil. Muitos lutadores descobriram do jeito mais difícil que, apesar de suas perícias físicas e habilidades no ringue, eles não são à prova de balas.

Byrne e McGregor

Figura 3

Com McGregor mostrando o lado pop da cultura gângster, o que não dizer de seus alegados links com gângsteres reais em seu país de origem, a Irlanda? Bem, conforme acontece com a maioria dos lutadores, a academia de Dublin onde McGregor treinava também era frequentada por vários personagens famosos de trupes gângster da vida real e sua prole. Vários deles até mesmo viajaram até Las Vegas para apoiar seu compatriota, durante sua luta contra Aldo.

Entre o grupo estava David Byrne, um criminoso de carreira e membro da gangue liderada pelo chefe Christy Kinahan. Byrne e McGregor posaram para uma selfie em dado momento, que pode ser vista à direita (figura 3). Suspeita-se que o irmão de Byrne, Liam, seja um jogador-chave na gangue de Kinahan ― envolvida em tráfico de drogas e armas de grande porte.

David Byrne foi assassinado em uma pesagem de boxe, no Regency Hotel, em Dublin, a 5 de fevereiro de 2016. À medida que as pessoas se misturavam e o quarto vibrava com a antecipação da próxima luta pelo título de peso-leve da WBO entre o herói da casa, Jamie Kavanagh, e Antonio Jao Bento ― quatro agressores invasores, dois dos quais estavam disfarçados de membros da Unidade de Resposta de Emergência da Polícia Irlandesa e armados com AK-47, entraram na sala e dispararam. Cogita-se que o alvo deles era o filho do chefe da máfia Kinahan, o qual, entretanto, conseguiu sobreviver, ao passo que Byrne foi morto a tiros.

Jamie Kavanagh, o grandioso pugilista que teve sua pesagem transformada em uma cena de crime sangrenta, ele mesmo perdera seu pai e tio para a mesma guerra de gangues de Dublin. Seu pai fora morto a tiros em setembro de 2014 em um bar irlandês em Marbella, Espanha, mas já seu tio, Paul, foi assassinado em Dublin em março de 2015.

Conor McGregor também é amigo dos Kavanaghs, tendo crescido com eles no mesmo bairro em Dublin e treinado com eles nas mesmas academias.

Embora McGregor possa usar referências gângster para gerar entretenimento em uma situação ou como forma de exibir seu domínio no esporte de luta, ele é bastante familiarizado com a violência mortal que acompanha esse estilo de vida. É por isso que, no que se refere a laços com gangues mafiosas, esses “laços” de McGregor são puramente baseados em amizades com pessoas do bairro que tomaram um rumo bem diferente do dele.

McGregor e seu amigo de boxe Jamie Kavanagh são belos exemplos. Ambos escolheram lutar como saída. Ao invés de lidar com drogas, eles lidam com socos e chutes. Ao invés de assassinatos à sangue frio, socam seus oponentes deixando-os em um curto período “mágico” de inconsciência.

Se isso não é gângster, é o que, então?

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2 Comments

  1. r. a. rocha martinez fernandez
    9 de Janeiro de 2018
    • Estilo Gangster Mafioso
      12 de Janeiro de 2018

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