Máfia, quem era o chefe Bernardo Provenzano?

Bernardo Provenzano, chamado de Binnu u’ Tratturi (Bernardo o trator, pela violência com a qual cortava as vidas de seus inimigos), era um criminoso italiano, um membro da Cosa Nostra e considerado o chefe da organização a partir de 1993 até sua prisão em 2006.

Procurado desde 1963, foi preso pela polícia italiana em 11 de abril de 2006, perto de sua cidade natal, Corleone, após ser fugitivo por mais de quarenta anos. Morreu em um hospital na prisão em Milão, em 13 de julho de 2016, aos 83 anos, devido a complicações decorrentes de um câncer de bexiga.

Data de Nascimento: 31 de Janeiro de 1933, Corleone
Morreu em: 13 de julho de 2016, Milão, Italia
Apelidos: Binnu u’ Tratturi, Zu Binnu, o contador
Associates: Cosa Nostra, Luciano Leggio, Totó Riina, Matteo Messina Denaro

Primeiros anos

Terceiro dos setes filhos de Angelo, um trabalhador agrícola, Bernardo Provenzano não termina o segundo grau para seguir seu pai nos campos. Ainda muito jovem ele se juntou ao mafioso Luciano Leggio, que o afiliou junto ao seu Clã local. Logo, sua reputação é aquela de terrível assassino sanguinário e de ótimo atirador de pistola.

No início dos anos sessenta é um implacável protagonista da primeira guerra da máfia palermitana contra o clã Navarra, quando, no meio do conflito, se registra mais de um assassinato por dia.

A fuga

Torna-se fugitivo em 18 de setembro de 1963: a Polícia de Corleone o denuncia pelo assassinato de Francesco Paolo Streva, homem do clã Navarra, cometido a uma semana antes.

Em um relatório protocolado pelas autoridades, Provenzano é definido em termos bem claros, como um “elemento inteligente, corajoso e vingativo que se move com duas pistolas no cinto

Il Capo dei Capi 

Em 1993, após a prisão de Riina, “Zu Binnu” assume o comando da Cosa Nostra, mudando radicalmente a maneira de agir, típico da máfia corleonese.

A sua receita?

A “Mediação” com a infiltração constante nas instituições e o objetivo (mais tarde alcançado), de tornar a máfia quase invisível e menos sangrenta.

O seu rosto permanece desconhecido até mesmo para os “picciotti”: os seus meios de comunicação são os pizzini, bilhetinhos de papel com anotações, muitas vezes não gramatical com referências religiosas com as ordens.

Aos homens da Polícia que, depois de uma investigação longa e metódica o encontraram em uma Fazenda, na zona rural de Corleone, na manhã de 11 de abril de 2006, apresentou-se um homem frágil e desquiado.

E imediatamente explode o contraste entre o mito de um chefe astuto e sanguinário, que há tempo o perseguiam, e a vida espartana de uma pessoa de idade que apreciava ricota e chicória.

Métodos dos “Pizzini”

O cercava a fama do chefe elusivo que ele mesmo havia erguido ao redor de si, um obstáculo inultrapassável. Suspeitava de tudo e de todos. Recomendava aos amigos de falar em voz baixa e de controlar a presença de “grampos” e câmeras escondidas.

Enviava suas ordens com os famosos métodos dos “Pizzini” codificados e escritos, em uma linguagem áspera, mas muito expressiva, com a inseparável máquina de escrever. Naqueles folhetos era representado todo o mundo de Provenzano, aquilo que o arrependido Angelo Siino, havia descrito como um “sistema” de empresas, contratos, negócios, dinheiro reciclados nos canais da economia legal.

E no fundo uma rede de relações e mediações com a política.

A relação com Totò Riina

A Provenzano, ao lado de Riina, havia tocado a parte do segundo. E na época dos massacres aquela de soldado. Ao externo de sua lealdade cimentava a imagem de compacidade de Cosa Nostra. “Riina e Provenzano são a mesma coisa”, dizia-se.

Na verdade, eles expressavam duas diferentes visões do governo mafioso: Riina, impetuoso e precipitado, já Provenzano cuidadoso e atencioso. Esta alma “moderada” poderia surgir somente após a prisão de Don Totò, em 15 de janeiro de 1993.

A captura de Riina, foi o golpe mais severo para a máfia chegando no pico de uma contraofensiva do Estado nas investigações de Falcone e Borsellino e consolidada das condenações do maxi processo anti-máfia.

A Máfia havia reagido, desencadeando a “ofensiva stragista” de 1992-93. Mas como dizia Riina, fazia a guerra para poder fazer a paz”.

A parte do barqueiro

Cabe a Bernardo Provenzano gerenciar esta fase da batalha. E era ele a corrigir a estratégia original do terror.

Vestiu o papel de “barqueiro”, parou os ataques, fez silenciar as armas. A técnica da “sommersione” (“imersão”), servia para aproveitar dois objetivos: ou seja, permitir a máfia de retornar as suas empresas tradicionais e abrir uma “negociação” com o Estado, mesmo à custa de “entregar” Riina, como o mesmo Boss revelou durante as suas confidências interceptadas na prisão.

A máfia com Provenzano muda de pele

Nas mãos de Provenzano a organização trocou de pele, relegando em segundo plano sua força militar para dar espaço admissão de adeptos e profissionais insuspeitos e amplos setores da política.

As investigações se concentraram nesta rede de interesses, que vão desde as obras pública de saúde, e terminam com numerosas convicções.

Os segredos que se leva para o túmulo

O chefe corleonese foi certamente o depositário de muitos segredos que se leva para o túmulo. Os promotores tentaram estimular a sua memória. Mas, fiel à sua história, Provenzano apresentou-se como um velho confuso e esquecido. E, de fato a perda do poder, após a prisão adicionou um lento declínio físico culminando agora com a morte.

Sua saída de cena entrega agora, o testemunho de continuidade para Matteo Messina Denaro, com o qual trocava mensagens e “pizzini”, que na Máfia interpreta a versão mais moderna e mais imprudente.

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