O Efeito Godfather: Como a educação ajuda criminosos a ganhar mais

Dizem que o crime não compensa. Mas receber educação compensa, mesmo para gangsters.

Economistas têm descoberto que mafiosos (no auge da Máfia ítalo-americana), ganhando a vida com coisas tais como: roubo, acesso a armas de fogo, desfalque de verbas transferidas e falsificação ganharam mais quando foram melhor educados.

Um membro de uma gangue mafiosa que tenha completado apenas um ano a mais de educação pode aumentar os ganhos deles em quase 8 por cento, geralmente. Para aqueles envolvidos em crimes mais sofisticados como fraude, peculato, evasão fiscal e falsificação — os assim chamados “criminosos de negócios” — o retorno sobre educação cresceu em 16 por cento.

A pesquisa

Esses achados são de um estudo da Máfia ítalo-americana durante o meio do século passado, feito pelos economistas Nadia Campaniello e Giovanni Mastrobuoni, respectivamente da Universidade de Essex e Rowena Gray e da Universidade da Califórnia, em Merced.

O nível de instrução pode não ser a primeira coisa que vem à mente quando Vito Corleone — o lendário chefe do crime interpretado por Marlon Brando no filme de 1972: O Poderoso Chefão — profere sua famosa citação: “Farei a ele uma oferta que ele não conseguirá recusar”.

Mas essa pesquisa econômica sugere que o filho fictício e aparente herdeiro de Vito, Michael Corleone, se beneficiou muito de seu ensino erudito na prestigiada Faculdade de Dartmouth.

Os pesquisadores concluíram que anos-extra de estudo trazem “um retorno positivo não apenas em atividades legítimas, mas também em ilegítimas” e que “para criminosos de carreira que estejam operando em um nível elevado em organizações complexas que perpetrem crimes sérios, a educação é muito valiosa”.

Criminosos de negócios

Os retornos da educação para aqueles envolvidos em crimes de colarinho branco, tais como extorsão, agiotagem e contrabando foram aproximadamente três vezes maiores do que para crimes violentos, como roubo e assassinato.

Os economistas coletaram dados de arquivos secretos protegidos pela Agência de Inteligência Americana sobre o Narcotráfico, sobre centenas de mafiosos que estiveram atuando nos EUA durante a metade do último século.  Os arquivos incluíam informações sobre sua educação, ocupação, salário, endereço e valor da casa ou do aluguel que pagavam, além de versarem sobre a extensão do envolvimento deles com a máfia, e suas carreiras criminosas. No geral, os mafiosos tinham uma média de um ano a menos de educação que seus vizinhos. Os acusados de crimes complexos, incluindo peculato e apostas, ganhavam os maiores lucros.

“A Máfia ítalo-americana é uma das mais longevas e atuantes em operações criminosas no mundo, e conduz-se como um negócio corporativo, com o Chefe como diretor executivo”, disse Dro Campaniello.

“Dentro disso, mais de um terço dos mafiosos são criminosos empresariais, se metendo nos crimes mais sofisticados – e, para eles, nós cremos que a educação realmente compensa. Mesmo o mafioso na extremidade inferior da hierarquia que tem, em média, seu lucro de 5,6 por cento está tendo um lucro maior sobre seu ano extra de educação do que outro imigrante italiano, ou que outro imigrante de qualquer outra nação”.

O lucro sobre a educação para os “criminosos de negócios” foi maior do que os benefícios ganhos de um ano adicional de educação para um cidadão estadunidense de uma idade similar, que viva num local similar.

Os achados mostram que o investimento em know-how — chamado de “capital humano”, pelos economistas — tem um impacto econômico favorável mesmo quando o indivíduo, porventura, esteja envolvido em atividades ilegais.

O documento, intitulado “Lucros pela Educação em Organizações Criminosas: Ir à Faculdade por Acaso Ajudou Michael Corleone?” também delineia alguns elos intrigantes entre as instituições de educação e o crime organizado. Aponta que carreiras criminosas são conhecidas por “começarem muito cedo”, e que têm a capacidade de serem entretecidas às escolhas acadêmicas.

Porque a educação erudita formal ajudaria pessoas a se socializarem para que trabalhassem sem reclamar dentro de organizações hierárquicas; o documento sugere que elas podem parecer “um ambiente de treinamento ideal” para aspirantes a mafiosos.

“Muitas das habilidades que os estudantes adquirem no meio acadêmico são susceptíveis de serem úteis quando se bola uma evasão fiscal (isto é: extraindo a renda ideal), um negócio de agiotagem (i. e., considerando os interesses versus os riscos de inadimplência), um sistema de tráfico de drogas (isto é, a criação cadeias de abastecimento), etc.”, versou o documento.

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Mafia Academy

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