Conexão Pizza : Mafia, pizza e tráfico de droga

Para a polícia americana, A conexão pizza surgiu em 1971, quando fiscais alfandegários americanos do porto de Nova York descobriram 82 quilos de heroína com 90% de pureza escondidos em um carro trazido por um navio de carreira italiano. Eles prenderam o homem de Gambino que recebeu a encomenda, e que, por acaso tinha uma pizzaria. Na verdade, todos os indícios revelados pelo caso pareciam ter alguma relação com pizzas e com um dono de pizzarias chamado Michael Piancone. O preso administrava uma Piancone Pizza Palace e dois irmãos, Salvatore e Matteo Sollena, ambos suspeitos de envolvimento, administravam várias.

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Conexão Pizza: A investigação

Na época, a investigação não foi muito longe. Mas, em 1978 ela ressuscitou. A namorada de Salvatore Sollena foi presa pela polícia de Nova Jersey por posse de dinheiro falso: 51 mil dólares em notas e 25 mil em cheques administrativos. Depois soube-se que ela e o irmãos Sollena haviam comprado mais de 330 mil dólares em cheques administrativo, todos de valor abaixo de 10 mil dólares, ou seja, não precisavam ser declarados pelo banco. Tais cheques tinham sido transferido para uma conta em Palermo.

Palermo – NovaYork

Um a no depois, a alfandega americana descobriu que, nos dois anos anteriores, outros quatro milhões de dólares tinham sido remetidos de Nova Jersey para Palermo, um milhão por uma pequena pizzaria de Nova York. E, em junho daquele ano, Boris Giuliano, o chefe de polícia de Palermo, que seria morto logo depois, encontrou 497 mil dólares em dinheiro em uma mala no aeroporto de Palermo. Estavam embrulhados em aventais de uma pizzaria pertencente a Salvatore Sollena em Nova Jersey.

No começo de 1980, a DEA (Droga Enforcement Agency, agência americana em combate às drogas), o FBI e a alfandega americana decidiram se unir em uma operação, e logo descobriram que a maioria dos alvos a que chegavam eram sicilianos e também trabalhavam sob a égide das duas famílias com ligações mais íntimas com a Sicília, os Bonanno e os Gambino. O responsável parecia ser Salvatore Catalano, outro imigrante siciliano e que organizara o assassinato de Carmine Galante, possuía uma padaria e era sócio de uma pizzaria no Queens.

No outono daquele ano, houve um elegante casamento da Máfia no luxuoso Hotel Pierre, em Nova York, e tanto Salvatore Catalano quanto Giuseppe Ganci, seu sócio nas pizzarias, foram convidados. Além, deles, estavam presentes personagens importantes das máfias siciliana, canadense e americana, como os parentes do falecido Carl Gambino; Salvatore Inzerillo, da Comissão siciliana e lavadores de dinheiro e assessores financeiro de Montreal, Sicília e Milão. Na vigilância, a força-tarefa conjunta registrou os números discados durante a festa, e os dono desses telefones foram então encontrados e vigiados.

Veja Também: As Prinicapis Rotas do Trafico de droga dominadas pela Mafia Siciliana

Interceptações: grampos e microfones

Com a rede espalhando-se, a força-tarefa finalmente pediu permissão para usar grampos e microfones.

A princípio, avançar foi um processo lento. Mas, em 1983, a força-tarefa teve um golpe de sorte. Em duas operações forjadas na Filadélfia, agentes da DEA disfarçados ofereceram -se para comprar heroína de dois suspeitos de tráfico, um deles dono de uma pizzaria em ambos os suspeitos ligaram imediatamente para a pizzaria Al Dente, no Queens, que era de Ganci e Catalano. Os dois traficantes foram vigiados enquanto faziam a compra (de mais de 350 mil dólares). A equipe seguiu os movimentos e telefonemas de Ganci e conseguiu iniciar a lista de cumplices, também grampeados.

Foi um trabalho longo e difícil. Além de falarem dialeto siciliano, os integrantes da Conexão Pizza também usavam telefones públicos em vez dos telefones dos restaurantes e residências, e mudavam de telefone o tempo todo. Em consequência, os problemas dos grampos e da transcrição das conversas aumentou rapidamente, mas logo a investigação conseguiria ajuda: em outro ramo a equipe seguia a trilha do dinheiro da heroína, o que logo deu bons frutos.

Aonde vai o dinheiro?

Os telefones eram um problema para a Conexão Pizza, e o dinheiro também quantias imensas, principalmente em notas pequenas, pagas pelos viciados nas esquinas. No começo, o problema foi facilmente superado; o dinheiro era simplesmente guardado em malas e mandado de avião para a Suíça. Mas a conexão teve de começar a usar um cambista especial e muito atlético, cujo serviço era pegar o dinheiro toda semana e correr com ele de banco em banco em Nova York para, pelo caminho, transformá-lo em cheques administrativos, todos abaixo de dez mil dólares. Logo nem isso bastaria: o cambista passou a contratar aviões particulares e mandar o dinheiro, milhões de dólares de cada vez, para um discreto banco particular no paraíso fiscal das Bermudas, de onde poderia ser transferido para a Suíça.

Isso funcionou por algum tempo, mas o volume de dinheiro aumentou ainda mais, os esquadrões especiais de couriers suíços tiveram de ser contratados, sendo o seu serviço, simplesmente, pegar o máximo possível de dinheiro e voar com ele diretamente para Suíça.  Mas agora o problema era que, com tanta gente envolvida, inevitavelmente havia roubos.

Assim, no final, a Conexão começou adotar o caminho que a Máfia sempre seguiria no futuro: recorrer a grandes instituições financeiras.

Em um período de menos de seis meses em 1982, um financista suíço chamado Franco Della Torre depositou pelo menos vinte milhões de dólares em contas de agências dos bancos Merrill Lynch e E.F. Hultton no bairro financeiro de Nova York. De lá, o dinheiro passava por financeiras criadas por ele em Lugano e arredores e depois era lavado por outras contas com transferências até chegar ao seu destino, um banco suíço ou a conta de uma empresa de fachada da Máfia na Itália. Os investigadores acreditam que, nos seis anos de funcionamento da parte da Conexão Pizza que vigiavam, 1,6 bilhão de dólares de lucro foram lavados dessa e de outras maneiras.

A Conexão Pizza no Brasil

Os principais fornecedores de heroína da Conexão eram Peppino Soresi, siciliano, conhecido como “o médico vindo de longe, “e Gaetano Badalamenti, o mesmo que fora expulso da Comissão e da Máfia na Sicília e cujo sobrinho foi morto por Riina mais tarde. Agora Badalamenti operava no Brasil e mantinha contato regular com a Conexão por meio de um sobrinho que morava em Illinois ou diretamente, por telefone público. Foi por um telefone deste tipo, em outubro de 1983, que a equipe de vigilância soube que a Conexão precisava de grandes remessas de um ou ambos os fornecedores para o início de 1984.

Mas houve atraso, prevaricação e discussões sobre termos de pagamento e entrega. Logo os nervos esfrangalharam-se em Nova York, Brasil e Sicília. Finalmente, Badalamenti exigiu uma reunião de emergência com o sobrinho em Madri. Os agentes do FBI e da DEA decidiram que a oportunidade era boa demais para ser perdida e foram juntos.

Badalamenti foi preso em Madri, em 8 de abril de 1984. Na manhã seguinte, com prisões coordenadas na Itália, na Suíça e nos Estados Unidos, a Conexão Pizza foi encerrada.

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