Razhden Shulaya: o mafioso russo que gerenciava uma empresa criminosa à nível nacional a partir de Brighton Beach até Las Vegas

Hoje falamos da história de um mafioso russo e do mais alto calão: Razhden Shulaya, que tendo saído da Europa, conseguiu envolver boa parte dos Estados Unidos em sua teia criminosa, até que as autoridades federais viessem a apertar o cerco contra sua organização. É uma história suja, como toda história criminosa, mas da qual tiramos lições que podem nos ajudar para um bem maior. 

A influência de Razhden Shulaya ia longe. Como um “‘Vor’ de boa-fé” ― o equivalente da máfia russa para “homem de honra” ― ele era temido e reverenciado por seus subordinados e tinha conexões poderosas no submundo do Leste Europeu. Mas Shulaya lançou sua mira nos Estados Unidos, onde ele supostamente criou uma empresa criminosa nacional envolvida em jogos de azar, extorsão, fraude, assassinato por aluguel e tráfico de drogas. 

  • Não sabe o que é um “homem de honra”?! Não tem problema, veja aqui: LINK 

Ele é apelidado de “Irmão”, segundo as autoridades; um cognome carinhoso para um homem cujo trabalho abrange cuidar de seus homens como um grande irmão. Como membro de alto nível do “vory v zakone”, ou “fraternidade de ladrões em irmandade”, Shulaya ofereceu aos seus subordinados “assistência e proteção” para tocarem suas atividades criminosas. Quando necessário fosse, ele administraria disputas e ofereceria soluções. Em troca, eles lhe pagavam uma porcentagem de seus ganhos. Observe que esse modo de organização em que o líder está distante fisicamente de seus subordinados é complicado, apenas possível pelos meios de telecomunicação, e demanda muito do líder, em se deslocar para resolver uma disputa entre irmandades rivais, por exemplo. Shulaya teria de ter muito jogo de cintura para se manter incólume em sua posição. 

Shulaya, de 40 anos, foi assistido por seu tenente de 37 anos, Zurab Dzhanashvili, que coordenava jogos de azar ilegais, extorsão e tráfico de cigarros de contrabando e mercadorias roubadas ― cuja empresa criminosa de grande porte ele podia se aproveitar de sua ajuda. A organização de Shulaya estava envolvida em uma grande variedade de atividades ilícitas, que incluía: o gerenciamento de empresas ilegais de pôquer em Brighton Beach; extorsão; tráfico de drogas; roubo a cargas transportadas, incluindo uma remessa contendo aproximadamente 4.500kg de confecções de chocolate; transporte e venda de numerosos pacotes de cigarro não tributados; criação e uso de documentos de identificação, cheques e faturas falsificados; e o uso de uma pessoa do sexo feminino para seduzir homens, incapacitá-los com um certo gás alucinógeno e depois roubá-los. 

Os seus cérebros nunca deixaram de pensar em novos esquemas maliciosos. Enquanto o dinheiro estava fluindo de um empreendimento sombrio, alguém já estava sonhando em fazer ainda mais dinheiro em outro esquema ilegal. O grupo planejava defraudar casinos em Atlantic City e Filadélfia usando dispositivos eletrônicos e servidores de computador para prever e explorar o comportamento das máquinas caça-níqueis eletrônicas. 

A violência, é claro, era a ferramenta preferida para fazer avançar e proteger a organização e seus interesses. Mesmo que resultasse em morte(s). Em maio e junho deste ano, Nikoloz Jikia de 26 anos e Bakai Marat-Uulu de 25 anos de idade entraram num acordo e planejaram assassinar uma pessoa possuidora de mais de US $ 1,5 milhão de dólares de mercadorias roubadas, em troca de uma parte da pilhagem. 

Esse empreendimento de Shulaya era composto de várias equipes, muitas vezes com membros ou associados sobrepostos uns aos outros, dedicados a tarefas criminosas específicas. Enquanto muitas dessas equipes estavam baseadas em Nova York City, a empresa de Shulaya operava em vários locais nos Estados Unidos, inclusive em Nova Jersey, Pensilvânia, Flórida, Nevada, e no exterior. 

A maioria dos membros e associados do grupo nasceu na antiga União Soviética e muitos mantiveram vínculos substanciais com a Geórgia, a Ucrânia e a Federação Russa, viajando regularmente para esses países e frequentemente se comunicando com os associados lá. Eles também transferiram quantias de dinheiro obtido por meios sujos para indivíduos desses países. 

À medida que faziam negócios, eles usavam equipamentos de comunicação criptografados, conversavam em código e preferiam se encontrar pessoalmente. Tradecraft típico para evitar os olhos curiosos da polícia federal. 

Infelizmente para eles, não funcionou. Em 7 de junho de 2017, Razhden Shulaya e 32 de seus lacaios foram “atingidos” por três acusações formais e uma requisição encarregando-lhes de uma variedade de acusações de agressão que, se os réus fossem declarados culpados, poderiam resultar em longas penas de prisão. 

“Os suspeitos, neste caso, espalharam uma ampla rede de atividades criminosas, isto é, uma rede estabelecida em vários lugares distantes entre si, com o objetivo de ganhar o máximo de dinheiro possível, todos supostamente organizados e gerenciados por um homem que prometeu protegê-los”, apontou o diretor-assistente do FBI, William F. Sweeney Jr. “Mas essa proteção não incluiu escapar da justiça e serem presos pelos agentes e detetives da Força-Tarefa Contra o Crime Organizado Eurasiático do FBI de Nova York. Nossas parcerias com outros escritórios de campo do FBI, NYPD e CBP nos permitem fazer tudo o que podemos para perseguir criminosos que não acreditam que a lei se aplique a eles”. 

De acordo com Patrick Barnes, advogado adjunto dos EUA, as estruturas policiais e legais americanas estão conscientes de que seus colegas russos estão atrás do “ladrão coroado” para um possível sequestro por resgate. Mas o futuro observável de Razhden Shulaya (vulgo “Razhden Pitersky”) está inseparavelmente ligado aos Estados Unidos ― na totalidade das acusações, ele enfrenta até 65 anos de prisão e uma multa de US$ 1,2 milhão. 

A breve história de Shulaya nos remonta lááá àquela lei do trabalho em equipe: 4) A Lei do Monte Everest ― quanto maior a montanha, maior se faz a necessidade do trabalho em equipe; lei essa que está no livro do grande guru da liderança John Maxwell, As 17 Leis Inquestionáveis do Trabalho em Equipe. 

O nome desse princípio de liderança já diz tudo: quanto maior se torna uma organização ― criminosa ou não! ― maior se torna a necessidade por trabalho em equipe de qualidade. No livro, Maxwell narra a história de alguns dos escaladores do Monte Everest, uma montanha não de 2.500… 3.000… 4.000 metros de altura. Não. Mas de 8.848 metros de altura em sua parte mais alta. Uma montanha que se constitui em um grandioso desafio até para os maiores e mais experientes escaladores. 

No livro, John Maxwell narra que foram necessárias equipes pequenas se alternarem para que alguns e somente alguns dos escaladores conseguissem o feito histórico de alcançar o topo. Não havia lugar para o egoísmo ― a troca de turnos deveria ser feita nos horários corretos, visando a saúde e a segurança de cada membro envolvido. E, finalmente, a felicidade de quem não alcançava o topo estava em ter participado do sucesso de todos os integrantes, por maior ou menor que cada logro fosse. 

Vimos na história de Shulaya que sua organização foi crescendo muito rápido, em diversos lugares (em empreendimentos como casinos, escritórios ou bases para o crime cibernético e etc.). Tudo isso exige muita cooperação e cada vez mais sigilo (no caso de um negócio criminoso, claro); afinal de contas, estavam lidando com o F.B.I, a Interpol, e todo o aparelho de aplicação de lei americano. Resumindo, estavam pisando em terreno muitíssimo minado e, claro, lidando com equipes muito melhor estruturadas e amparadas pela lei [as burocracias, equipamentos e proteções próprios de organizações estaduais]. 

E nessa briga entre Estado e Máfia o que sempre vemos, internacionalmente e não só neste caso em específico, é que: sempre a(s) equipe(s) mais preparada(s) obtém(obtêm) a melhor. No caso de países desenvolvidos, todo o aparato legal e policial costuma obter a melhor. No caso de países como Cuba, Brasil e todos os menos desenvolvidos, o crime organizado costuma operar com hostilidade e à céu aberto, pois não há força-tarefa eficaz contra eles. 

O trabalho em equipe não é algo que deva ser subestimado. Porém não é a única coisa essencial; aprenda mais lições boas como essa, tiradas do mundo da máfia, com a gente, aqui, neste link [Símbolo] clique aqui e saiba mais. 

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