Por que os mafiosos são tão religiosos?

Os mafiosos criaram seu Deus, que os fazem se sentir ao lado dos justos. Essa certeza também tira seu senso de culpa sobre suas costas. Entrar na Cosa Nostra é como se converter a uma religião. 

O mafioso Antonino Calderone, falando sobre seu irmão Pippo, disse que “sentia-se um escolhido de Deus, não um ninguém.” Porque os mafiosos estão realmente convencidos de que são escolhidos por Deus, ao contrário de todos os outros. Matar os outros não é matar. Suas vítimas são ninguém, nada. 

Outro mafioso, Leonardo Messina, disse que as regras da Cosa Nostra “assemelham-se aos Dez Mandamentos: não roubar, não cobiçarás a mulher do teu próximo…” E ele argumenta que a Cosa Nostra remonta “o Apóstolo Pedro”.  

Ele até falou de uma “Bíblia da Cosa Nostra”, enterrada em campanhas de Riesi.  O Deus dos mafiosos é, naturalmente, um Deus mau, curvado às suas regras, que transforma o bem em mal. Portanto, não há conflito entre a fé e a adesão aos princípios da organização. 

Os mafiosos que vão à igreja são praticantes? 

Nitto Santapaola, o chefe da Cosa Nostra em Catânia, frequentava os salesianos e a família queria que ele se tornasse padre. Don Calò Vizzini tinha dois irmãos padres, dois tios bispos e outro tio pastor. 

No esconderijo de Provenzano encontraram milhares de santinhos, crucifixos e símbolos sagrados. No esconderijo de Peter Aglieri, que também tinha uma irmã freira, havia um pequeno altar. No primeiro banco direito na igreja matriz de Siculiana é esculpido em madeira o nome dos traficantes de drogas Caruana e Cuntrera: uma marca de distinção em troca de uma oferta generosa. 

Os dois chefes eram tão religiosos – e queriam tanto mostrar ao seu povo – que, em 3 de maio de cada ano, até 1992, quando foram presos, levavam a estátua da Santa Cruz de Siculiana em Montreal e ali faziam sua marcha em procissão para os moradores emigrados. 

Michele Greco, que por nada era chamado de “papa” da Máfia, recitava orações a toda hora, dia e noite. O simbolismo religioso na máfia é evidente a partir do rito de iniciação.

O juramento no santinho da Santa de Anunciação, protetora da Cosa Nostra, é feito ao se proferir: “Como Santa te queimo, como papel te adoro, como queimo este papel deve queimar minha carne se um dia trair Cosa Nostra”. O pecado da Máfia não existia. 

“Onde está escrito esse pecado? Encontre um padre inteligente que entenda essas coisas”. (Giuseppe Guttadauro, médico e capomandamento de Brancaccio, ao falar com um amigo – Palermo, 21 de janeiro de 2001). 

Além de mafiosos religiosos, também existem religiosos mafiosos?

Sempre houve. Os mais famosos: Padre Agostino Coppola, sobrinho do traficante Francis Coppola conhecido como Frank Três dedos. Na sacristia do padre Agostino foi encontrado o dinheiro dos resgates de pessoas que Luciano Leggio e a ‘Anônima Sequestros” faziam em Milão. 

Depois de anos de prisão e vários escândalos, Padre Agostinho foi suspenso da Igreja Católica e se casou. Havia encontrado sua futura esposa como uma enfermeira, quando o ex-padre estava em uma “prisão hospitalar”.  

A senhora era uma médica ginecologista de boa família: Francesca Caruana, de Siculiana. Um dos arrependidos disse algum tempo depois que Agostino Coppola foi formalmente “feito” Homem de Honra. 

Outro religioso conhecido por sua “mafiosidade” era Francesco Castronovo, frade Giacinto. Em meados dos anos 1960, o Comissário Angelo Mangano já suspeitava de suas amizades com os chefes e estava convencido de que Leggio tinha encontrado abrigo por alguns meses em seu convento em Palermo, na vila de Santa Maria di Gesù.  

No mesmo convento, quinze anos mais tarde, frade Giacinto foi morto pela proximidade com Stefano Bontate. Em seu dormitório, foi apreendido um revólver calibre 38 que o monge escondia debaixo do travesseiro. Seus assassinos nunca foram encontrados.  

Em uma cidade no centro da Sicília, Mazzarino, no final dos anos 1950, os monges aterrorizam a população local. Foram presos quatro: frade Carmelo, frade Agrippino, frade Venancio e frade Vittorio. As acusações foram: conspiração, assassinato, extorsão, violência doméstica. Havia padres “orgânicos” e padres “vizinhos”, de cultura mafiosa. 

O padre carmelita Mario Frittitta – preso por cumplicidade em 1997 e depois absolvido no julgamento – celebrava missa no esconderijo do fugitivo Pietro Aglieri. 

Entre 1960 e 1980, até mesmo alguns bispos da diocese de Monreale, a mais extensa e rica da Sicília. Um era Corrado Mingo, o outro Salvatore Cassisa. Diz-se que esteve próprio três sacerdotes naquela diocese para unir em casamento, Salvatore Riina e Antonina “Ninette” Bagarella, em 16 de abril de 1974. 

Um dos três padres foi o Padre Agostino Coppola, os outros dois nunca ninguém descobriu a identidade. Riina e Bagarella foram casados entre os pinheiros e o mar de Cinisi, na sala de estar de uma casa.  

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