Por que Cosa Nostra também comercializa o que é considerado desonroso?

Cosa Nostra faz tudo o que tem que fazer para acumular riqueza. E, em seguida, procura sempre seguir a regra para garantir a própria moral e preservar seus princípios. No outono de 1989, Francesco Marino Mannoia abriu seu interrogatório com o juiz Falcone, dizendo: “O ambiente de contrabandistas era indigno para um homem de honra como eu.” 

Os Homens de honra do contrabando

Em tempos de crise para os negócios da Cosa Nostra – entre meados e final dos anos 1960 –, muitos dos contrabandistas foram feitos Homens de Honra, mesmo aqueles que, de acordo com a voz mafiosa daquele tempo, não dispunham das qualidades mais essenciais para se tornar um.  

Como é o caso de Tommaso Spadaro, o rei da Kalsa (bairro em Palermo), muito arrogante e chamativo para a proverbial discrição dos Homens de Honra,. Só que Spadaro servia à Cosa Nostra para ganhar dinheiro e assim se fixou na Família Porta Nuova, aquela de Pippo Calò. 

Eles fixaram também o napolitano Michele Zaza. Até pouco tempo, era impensável que um não siciliano pudesse vir a se tornar um Homem de Honra. Mas Tommaso Spadaro e Michele Zaza controlavam o tráfico de cigarros contrabandeados em todo o Mar Mediterrâneo e, agora em Cosa Nostra, tornando-se Homens de Honra,, tomaram posse de seus navios, suas rotas e seus contatos. Depois das “biondas”, assim eram chamados os cigarros, esses mesmos navios começaram a transportar drogas pelos Estados Unidos. 

De fato, nessa época, Lucky Luciano instalara o seu novo lar em Nápoles e logo foi muito útil ao reunir a antiga rede da Camorra e Vito Genovese, com integrantes da Máfia siciliana em uma atividade que se tornaria uma das mais principais fontes de renda no pós-guerra. No entanto, o que quase todo mundo queria eram os cigarros americanos, e a Máfia os fornecia, assim como as bebidas durante a Lei Seca. 

Cosa Nostra e o tráfico de drogas

Em 1949, Luciano fundou o primeiro laboratório de processamento de heroína em Palermo, usando base de morfina contrabandeada do Líbano. Lucky Luciano fazia visitas regulares à capital siciliana para sugerir, a quem quisesse ouvir, a criação de uma Comissão central, ou Cúpula, do tio que conquistara nos Estados Unidos, para dirigir as atividades da Máfia e manter a paz entre as facções. Em outras palavras, Luciano queria que a parte siciliana fizesse duas coisas, com base na experiência norte-americana: amadurecer e se internacionalizar. 

De fato, na segunda metade dos anos 70, Cosa Nostra havia garantido o controle da produção e da comercialização das drogas na Europa e América do Norte. Os mafiosos sicilianos compravam base de morfina tailandesa e iraniana por meio de traficantes turcos e tailandeses e a fizeram chegar perto de Palermo, onde era refinada em heroína por químicos de reconhecida competência, alguns trazidos especialmente de Marselha. 

Veja também: 3 principais rotas do tráfico dominadas pela Máfia Siciliana

Muitos mafiosos sicilianos se mudaram para a América do Norte para abrir uma rede de pizzarias, utilizada para controlar a distribuição de heroína, que ocorriam por meio da Máfia ítalo-americana. 

Em 1977, Palermo tornou-se o principal centro de exportação de heroína e, nesse período, o número de toxicodependência registrou um novo crescimento espetacular em toda a Europa Ocidental e na América do Norte. 

O preço da riqueza

O espólio, é preciso enfatizar, era enorme. Um chefe siciliano menos importante que depois virou pentito (arrependido) disse a respeito dele: “Todos viramos milionários, de repente, em poucos anos, graças às drogas”. O dinheiro inundou a ilha. 

De 1970 a 1980, quadruplicou o número de bancos na Sicília e, imunes à inspeção das autoridades centrais, multiplicou-se imensamente. A cidadezinha de Trapani, por exemplo, com 70 mil habitantes, teve, em certa época, mais agências bancárias do que toda a cidade de Milão, o centro financeiro da Itália. 

O dinheiro tornava tudo possível. Cada vez mais laboratórios de refino de heroína foram transferidos para a Sicília, enquanto a guerra às drogas do presidente Nixon finalmente convencia as autoridades francesas a agir contra a Conexão Francesa de Marselha. 

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