O Pai do Poderoso Chefão: Mario Puzo

Figura quintessencial da cultura ítalo-americana, Mario Puzo foi e segue sendo ainda hoje – quase vinte anos após sua morte – o símbolo icônico de como a linhagem italiana e americana se juntaram para criar algumas das obras mais definidoras do século XX.

Até mesmo sua carreira é imagem do que só pode ser definido como um sonho literário pós-guerra, bem americano: de editor de várias publicações em “jornalecos”, até tentativas inicialmente infrutíferas de escrita independente – ao sucesso mundial final, obtido graças a uma mistura de experiência de vida real, criatividade e linhas narrativas duras e bem “quentes”.

Mario Puzo só foi encontrar a fama, de fato, graças à sua colaboração junto de Francis Ford Coppola e na versão cinematográfica de sua obra-prima, O Poderoso Chefão, mas nunca subestime seu talento como um romancista: Puzo foi – e ainda é – um talento literário verdadeiramente surpreendente.

Mario, Hell’s Kitchen e a América de 1950

Mario Gianluigi Puzo nasceu na infame Hell’s Kitchen de pais de descendência napolitana. Foi em 1920, e a infância e adolescência de Puzo neste bairro notoriamente difícil de Nova York moldaram a criatividade e visão estética do escritor.

Quando os EUA entraram na Guerra em 1941, Puzo se juntou à Força Aérea do Exército dos Estados Unidos e foi enviado para a Alemanha, onde serviu principalmente como oficial de relações públicas, já que sua visão fraca não lhe permitiu participar do combate ativo.

Ao voltar para casa, Puzo completou seus estudos e começou a escrever. Seu primeiro esforço, o conto The Last Christmas foi publicado em 1950 e seu primeiro longa-metragem, The Dark Arena, em 1955. O talento de Puzo era patente, mas passaria ainda algum tempo até que os leitores verdadeiramente entendessem. Nesse interim, trabalhou como editor e escritor em várias publicações da revista Martin Goodman’s Management Company. Ele colaborou, em particular, com as revistas masculinas da empresa que, no estilo dos anos 50 e 60, privilegiavam narrativas duras, muitas vezes apresentando histórias de gângster ou de guerra. Com o pseudônimo de Mario Cleri, Puzo acabou criando algumas das últimas para a popular revista True Action.

O Poderoso Chefão é um filme americano sobre crime de 1972, dirigido por Francis Ford Coppola e produzido por Albert S. Ruddy, baseado no best-seller de Mario Puzo, de mesmo nome

O Sucesso Internacional de O Poderoso Chefão

A obra-prima de Puzo, O Poderoso Chefão, foi publicada em 1969: seu interesse pelo mundo do crime organizado foi se enraizando nos muitos anos vividos na casa publicadora de Goodman, onde havia lido e apreciado jornalismo e literatura abundantes sobre o assunto.

O grande apelo de O Poderoso Chefão, porém, não veio simplesmente de seu enredo, mas também de seus cenários e do fato de transformar em literatura uma realidade, a do crime organizado ítalo-americano, que há décadas dominava o interesse de pessoas. O próprio conhecimento de Puzo sobre os próprios bairros onde suas histórias eram estabelecidas, deu a seus contos ficcionalizados uma aura realística típica da literatura de crime americano dos anos 50 bem estabelecida, algo que o público geral estava prestes a notar.

E, de fato, foi o público que Puzo estava prestes a conquistar: seus primeiros esforços literários, gostava de sublinhar, haviam sido elogiados criticamente, mas, ao mesmo tempo, não haviam conseguido sucesso entre leitores comuns. O autor não só vê isso como um fator irritante e de alguma forma deprimente, mas também como um desperdício de uma carreira potencialmente muito lucrativa.

O dinheiro e o sucesso partindo do mainstream certamente estavam em sua mente quando ele escreveu O Poderoso Chefão.

O que estava prestes a acontecer, porém, foi além de qualquer das expectativas de Puzo: quando abordado por Francis Ford Coppola para transformar seu romance em um roteiro de cinema, o ítalo-americano provavelmente não pensou muito, além de ser uma boa maneira de ganhar dinheiro com o romance. No entanto, graças aos próprios olhos cinematográficos treinados por Coppola, os três filmes inspirados em O Poderoso Chefão se tornaram em filmes dentre os americanos mais bem sucedidos (americanos) de todos os tempos, interpretados por atores de imensa envergadura, como Marlon Brando, Al Pacino e Robert de Niro.

Puzo colaborou na criação de todos os três roteiros dos filmes.

Após O Poderoso Chefão

Na época de sua morte, em 1999, Puzo havia escrito 10 romances e alguns trabalhos de crítica literária. Suas duas últimas peças, Omertà e The Family, foram criticadas por não terem a mesma qualidade que sua produção anterior. The Family foi, de fato, deixada inacabada e, em uma espécie de reviravolta mozartiana, foi concluída em período póstumo pela parceira de Puzo Carol Gino.

O talento de Mario Puzo, mesmo com o possível declínio de estilo mostrado em suas obras posteriores, permanece tão puro e claro quanto cristal: produto de um gênio literário indiscutível, acompanhado de um senso estético desenvolvido através de experiências da vida real. Criatividade, dificuldades, trabalho duro: a produção de Mario Puzo poderia ser bem definida nessas três palavras. Três palavras que, de alguma forma, também caracterizam a navegação através da história de seu próprio povo e público, os americanos e os italianos.

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