As Prinicapis Rotas do Tráfico de droga dominadas pela Máfia Siciliana

Foi no começo dos anos 50, que a Máfia Italiana iniciou a colocar as mão sobre os negócios lucrativos do tráfico de drogas. As principais famílias da Cosa Nostra, junto ao poderoso apoio  por parte de gangsters franceses, começaram a gerenciar as principais rotas do tráfico internacional, importando toneladas de heroína em todo o continente Americano.

Conexão Norte-Americana: Marselha-Montreal-Miami

O principal destino da heroína produzida pelos laboratórios da Conexão Francesa era o Canadá, e a capital da Máfia no Canadá era Montreal.

A cidade ficava perto dos Estados Unidos, tinha uma grande população de imigrantes italianos e, por fazer parte da província francófona do Quebec, também era, naturalmente, um lar substituto para bandidos franceses e corso de Marselha. Além disso, tinha a sua própria família mafiosa, comandada por Vincent Cotroni, aliado da família Bonanno de New York.

Montreal parece ter sido organizada, logo depois da guerra, como entreposto da heroína da Conexão Francesa por um homem chamado Antoine d’Agostino, bandido corso francês que se especula ter sido plantado ali por Lucky Luciano.

Era fornecedor da família Genovese e também um dos organizadores das chamadas “turnês europeias de Gino”, outro protegido de Luciano. Elas envolviam um fluxo constante de famílias italianas que viajavam de férias para Montreal em navios de carreira, levando consigo um automóvel especialmente preparado na Itália ou na França.

De lá, elas continuavam a viagem, de modo bastante natural, para visitar os pontos turísticos de Nova York, onde se livravam da carga escondida. D’Agostino foi expulso do Canadá em 1954 e instalou-se no México, onde abriria uma nova rota de heroína para os Estados Unidos. Nessa época, a parte canadense do negócio foi assumida pelo irmão mais novo de Vincent Cotroni, Giuseppe “Pep” Cotroni, e por Carmine Galante, representando a família Bonanno de Nova York.

Em 1956, esses dois, juntamente com um representante da família Genovese, controlavam cerca de 60% da heroína que então chegava ao continente americano.

Ela era levada pela fronteira em Cadillacs, com compartimentos secretos que só podiam ser abertos se alguns aparelhos do carro fossem abertos ao mesmo tempo. No seu ponto máximo, esse método aparentemente à prova de erros, fornecia aos Estados Unidos cinquenta quilos de heroína refinada por mês, com um valor no varejo de pelo menos cinquenta milhões de dólares.

Mas o esquema foi descoberto em 1961, por uma operação conjunta secreta do Escritório de Narcóticos dos Estados Unidos e da Real Polícia Montada canadense. “Pep” Cotroni, Carmine Galante e o representante dos Genovese foram presos. Assim, foi preciso encontrar logo outro ponto de entrada. E o escolhido foi Miami, onde Meyer Lansky então morava depois de, aparentemente, se aposentar.

O chefe da Máfia na cidade era Santo Trafficante Jr., cujo pai fora muito ligado a Lansky e a Luciano; e, com a revolução de Fidel Castro em Cuba, havia agora à disposição na cidade um número imenso de mensageiros e pistoleiros cubanos emigrados, sem falar de potenciais viciados em heroína.

Miami também tinha acesso ao tráfego que ia e vinha de qualquer ponto do Caribe, das Américas Central e do Sul. E esses seriam os próximos entrepostos da heroína refinada que vinha de Marselha, da Sicília e de outros lugares.

Conexão Sul-Americana: Argentina-México-Miami

Nessa época, as fontes de base de morfina da Turquia e do Líbano começavam a secar. Mas, surgia uma nova fonte, novamente devido aos bons serviços dos combatentes da Guerra Fria dos Estados Unidos.

Quando os franceses foram forçados a abandonar suas colônias no sudeste da Ásia, os americanos chegaram para sufocar a insurgência comunista na região e logo se puseram a atrair como aliadas as tribos das montanhas do Laos que por acaso, viviam da produção de ópio.

O preço do seu envolvimento na luta anticomunista foi a remessa do ópio cru, para o mercado por meio da empresa aérea particular da CIA, a Air América. Uma vez no mercado, o ópio alimentou o esquema de distribuição organizado pelos corsos francófonos de Marselha e por seus aliados sicilianos e transformou-se em heroína em refinarias locais e na Europa.

Boa parte do tráfico era financiada por generais sul-vietnamitas apoiados pelos americanos, e outra parte por Santo Trafficante, que visitou a região em 1962. Ironicamente, as vítimas mais significativas foram os soldados norte-americanos, que se viciaram em heroína em número alarmante.

Com os corsos e os seus aliados de Marselha agora como participantes importantes do jogo, boa parte da nova heroína foi mandada para os Estados Unidos, por meio de uma Rede sul-americana criada depois da guerra por um bandido marselhês chamado Auguste Ricord.

Instalado em Buenos Aires e Assunção, no Paraguai, onde a proteção de um regime absurdamente comprável era simples questão de dinheiro, Ricord organizou um grupo de pilotos, transportadores e capangas que usavam vários métodos para levar o contrabando para a América do Norte, por meio de “mulas” ou de avião até o México.

De lá, a mercadoria atravessava a fronteira de carro ou seguia para Miami em aeronaves pequenas. Nos dez anos decorridos até sua prisão em 1971, calcula-se que o grupo de Ricord, engrossado por fugitivos de Marselha, tenha levado para América do Norte cinco toneladas de heroína com 90% de pureza, em um valor de pelo menos um bilhão de dólares.

O porto de entrada preferido da heroína que vinha da Europa e do Extremo Oriente era Buenos Aires, com grande população italiana, assim como em São Paulo, no Brasil, onde se instalaram muitos integrantes da Máfia sicilianas entre as quadrilhas da ilha. Mas não era, de modo algum, o único.

Parte da heroína ia diretamente para o México, onde era distribuída, primeiro pelo que restava da rede corsa de Antoine D’Agostino, depois por um grupo financiado por Jorge Asaf y Bala, rico empresário conhecido como o”Al Capone do México”.

Conclusão

Ásia, Europa, América do norte e América do sul; por quase meio século a máfia siciliana e a Cosa Nostra Americana foram mestres indiscutível no controle  das rotas do tráfico international de heroína.

Mesmo a rota sul-americana tinha assumido o maior volume do tráfico, Montreal continuava a ser uma das principais porta de entrada da droga no continente norte-americano, embora o método de passar a heroína pela fronteira necessariamente tivesse mudado.

Agora era transportada por imigrantes ilegais, na maioria sicilianos, que iam trabalhar nas pizzarias controladas pela Máfia, principalmente em Nova York. Com o tempo, essas pizzarias tornaram-se o principal ponto de armazenamento e distribuição de heroína importada, na chamada Conexão Pizza.

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One Response

  1. Lara Duarte
    1 de agosto de 2016

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