Boardwalk Empire: Pesquisa histórica sobre os anos 20 [parte 3]

A importância histórica e sócio-cultural da Lei Seca, e da figura do gangster é perceptível mesmo – e principalmente – em termos de fascínio, que tem sido capaz de exercer em um campo artístico, como aquele da moda e do cinema.

Boardwalk Empire representa, ainda hoje, a melhor série de TV produzida a cerca de encenação, costumes, aspectos visíveis e tendências dos glamourosos anos 20 e 30.

Hoje concluímos com o último capítulo dessa nossa série de artigos, sobre Fatos e Ficções por traz da série Boardwalk Empire. Nos capítulos anteriores, já conhecemos Terence Winter, diretor e responsável pelo desenvolvimento do show, Edward McGinty, um nativo de Atlantic City, famoso por ter sua história familiar intensamente conectada a Atlantic City dos anos 20, e por fim, Vick Gold Levi, importante historiadora e escritora, também amiga do verdadeiro Nucky Johnson na era da proibição dos gangsters, desde a mocidade.

Os três juntos compunham a equipe de pesquisas históricas por trás da série, na qual esta entrevista cheia de detalhes é direcionada.


Como se faz a verificação dos fatos de um único episódio de Boardwalk Empire?

McGinty: muda de vez em vez. A primeira temporada encarregava-se de em como delinear o mundo, no qual se desenvolve a história. Temos dado algumas informações a grandes linhas. Necessitava principalmente fazer partir o show e descrever os tempos no qual era ambientado, permitindo que os espectadores entendessem de que mundo se tratava.

Toda a primeira temporada e meia da serie estava no quarto dos encenadores e era capaz de fazer algumas suposições cultas e de responder às perguntas que me vinham feitas. A partir da maior parte das respostas tornaram-se difíceis de encontrar, assim passava mais tempo em meu ofício. Em meu ofício tinha uma biblioteca inteira de livros aos quais podia fazer referência.

Quando foi preparado o primeiro roteiro do filme olhei e procurei todas as referências específicas, a gíria dos anos 20, e coisas semelhantes, e tenho verificado tudo para estar seguro que estivesse em linha com o período histórico; depois enviei todas as informações aos encenadores que se ocupavam em reescrever as cenas, levando em conta de estar em linha com o período histórico. Seguia os encenadores na elaboração de novos roteiros, durante as tomadas e na pós-produção.

Levi: estava presente na assessoria em três fases diferentes. A primeira fase era em relação às eventuais dúvidas. Se tinham demandas para fazer e me passavam as perguntas. Não me consultava com nenhum exceto com a biblioteca e compartilhava as informações, mas costumeiramente se limitávamos a quanto me vinham perguntado.

Uma outra fase era a de aproximar a questão, era de fazer uma pasta anual, para e sobre aquilo que pensava ser pertinente a um dado ano específico. Lhe dizia: “Eis um pouco de coisas que penso que sejam interessantes com relação àquele específico ano”.


E o que me diz dos elementos que não fazem parte da encenação, como por exemplo, costumes e aspectos visíveis?

McGinty: Quem quer que da produção faça um pequeno trabalho de busca, sempre se tem uma pergunta que não encontra resposta em sua busca, então eles vem e perguntam a mim. Eu me ocupo dos detalhes. O departamento artístico tem uma mulher chamada Miriam Schapiro e o designer de produção Bill Groom, que se ocupam das pesquisas em seu campo. A pesquisa verte sobre um determinado período histórico e encontramos principalmente fotos em branco e preto. Eles se ocupam em encontrar algumas pinturas das casas para encontrar a cor apropriada para usar e aqueles tipos de coisas. Depois tem o departamento de trajes, John Dunn e Lisa Padovani, que se ocupam em obter velhos vestidos, ou parte de velhos vestidos como, por exemplo, um colete ou uma jaqueta.

Levi: quando cheguei pela primeira vez sobre o set de Boardwalk Empire, em Brooklyn, permaneci sem fôlego por ver tanta beleza. Parecia mais o Boardwalk da minha infância que o Boardwalk de hoje, também se era aquele de 1920. Estava intacto, as cores eram justas, tudo era perfeito.

Winter: vinhamos organizando grandes encontros ao início de cada temporada. Estávamos no ano-novo e o estilo mudou radicalmente nos anos de 1920, penteados, maquiagem e todas aquelas coisas ali. Existe uma tabela que vi que traçava a orla dos vestidos femininos de 1920 a 1929, tornava mais curto de ano em ano. Quero dizer, tivemos uma longa discussão sobre os bigodes dos anos passado, em 1921 se tinha menos de 30 anos, não fazia crescer os bigodes. Seu avô bem provável que tinha bigode. Muitas das informações tínhamos trazida pela Gillette Corporation e pela publicidade. A Gillette nos anos de 1920, lançou a navalha segura, assim os homens podiam barbear-se em tranquilidade também em casa. Antes a maioria dos homens iam ao barbeiro. Agora, de repente, podia ir a um empório, comprar uma navalha e barbear-se. A Gillette tinha iniciado uma campanha que dizia que não era muito bom ter bigode.


Como produziu com base em uma dedução que uma campanha publicitária deu vida a uma tendência?

Winter: tínhamos deduzido pelo fato que, sobre o anuário de Princeton de 1920, não havia nenhum homem com bigode entre os diplomatas da classe 1920. Se for ver a classe que está diplomada em 1820, não vejo barbas grossas do tipo Rutherford B. Hayes e coisa semelhante. Mas havia também algumas exceções, se vive em 2012 não é dito que veste ternos ou que se penteia conforme a moda de 2012. Eu tenho muito provavelmente algumas calças de 1995 no meu armário, e a menos que minha mulher não me diga “não pode vestir aquelas calças”, eu irei vestir. Assim vai o mundo em que vivemos, nem todos estão na moda.

Vista-se como os Gângsters de 1920: Roupas de Boardwalk Empire

New York City por exemplo, está mais na moda do que Chicago, por isso terá algumas pessoas de Atlantic City um pouco sofisticadas. Se for a Chicago irá encontrar pessoas com roupas de vinte anos antes, ou penteados de há vinte anos. E é também a este tipo de detalhes que prestamos atenção, porque seria estranho e falso ver todas as pessoas vestidas e penteadas como se fossem capas de uma revista de moda. Temos que fazer como os gangsters, os tipos espertos da época. Alguns deles estão realmente na moda e outros estão na velha escola e vestem sempre o mesmo traje.

Winter: Dutch Schultz, a dizer a verdade, evidentemente, litigava sempre com Lucky Luciano, porque Luciano vestia camisas de seda de 30 dólares e Dutch Schultz dizia: “Ficaria muito bem  vestindo camisas de um dólar e 50. Porque diabos devo gastar 30 dólares em uma camisa?” Ambos tinham milhões de dólares naquele tempo, mas Schultz não conseguia entender porque uma pessoa devia gastar tanto dinheiro para se vestir. Quem se importa? E isso, não é nada relacionado a uma mulher.


Há outras fatos interessantes para compartilhar conosco sobre as tendências dos anos 20?

Winter: Sim é sobre a festa, a festa do primeiro do ano. É uma festa com tema egípcio, foi apenas descobrir a tumba de Tutankhamon e o Egito era a grande moda, as pessoas se vestiam com roupas que lembravam o Antigo Egito. A descoberta da tumba do faraó tinha influenciado a arte e o design, os móveis e muitos objetos pelos primeiros anos de 1920 até 1923 eram inspirados pelo Antigo Egito, e tudo graças à descoberta da tumba de Tutankhamon. A descoberta já ocorreu, acho que foi em novembro de 1922, assim Margaret é realmente à vanguarda quando decide fazer uma festa com tema inspirado pelo Antigo Egito para Ano-novo. É um referimento transversal. O Egito era de grande moda naqueles tempos, e isto foi saltado para fora de nossa pesquisa, sobre aquilo que sucedia no período de tempo em que era ambientada a série.Nos perguntamos: o que aconteceu de importante na época? Do que falava as pessoas? O que lhe passava pela cabeça? A coisa da qual todos falavam era o faraó Tutankhamon. Também a canção a moda sobre o faraó Tutankhamon que cantavam durante o espetáculo da festa era verdadeira. A descoberta da tumba do faraó Tutankhamon, se tornou um fenômeno de cultura popular.


Edward. havia muitas velhas histórias de família nas quais se baseou  as tramas das histórias?

McGinty: meu pai relatava sempre algumas histórias sobre como se podiam encontrar um pouco de dinheiro nos pântanos, ou coisas semelhantes. Ou de quando se despertavam de manhã e encontravam caixas de bebidas alcoólicas sobre o limiar da porta de casa e coisas assim. Meu pai nasceu ao fim dos anos “20” e quis retomar aos velhos tempos. Mas meu primo registrou relatos do meu avô, que relatam um monte de histórias sobre os seus tempos, de quando conseguiu trabalhar na variedade e de como voltou a trabalhar em um hotel e tinha tantas histórias para contar.

Meu avô e meu pai adquiriram e colocaram sobre um dos primeiros sistemas de TV via cabo de Atlantic City. Estavam literalmente em cada quarto, sob cada teto da cidade. Relatavam muitas histórias dessas salas para apostar sobre os cavalos ou dessas salinhas para apostar ou coisas do gênero, pois instalavam sistemas, tipo serviços a cabo para as corridas de cavalos e aquelas coisas ali. Relatavam todas essas histórias não públicas da política que se ouviam nas salas de jogo.

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