Anthony “The Ant” Spilotro: roubo, apostas ilegais e muita violência

Anthony Spilotro, apelidado “The Ant”, nome completo Anthony John Spilotro, foi um mafioso americano, conhecido por entreter negócios com seu amigo Frank Rosenthal e a máfia de Chicago.

Ele representou o chefe de Chicago Joseph Aiuppa em Las Vegas durante os anos setenta e oitenta. A partir do depoimento de Rosenthal, a tarefa de Spilotro era apenas proteger os lucros ilegais obtidos pelos cassinos que os mafiosos possuíam em Nevada.

Data de nascimento: 19 de maio de 1938, Chicago
Morreu em: 14 de junho de 1986, Bensenville, Illinois.
Apelidos: “The Ant” (a formiga)
Associações: Chicago Outfit, Gangue do buraco na parede, Frank Rosenthal, Tony Accardo, Las Vegas

Sua biografia foi descrita no livro Casino: Amor e Honra em Las Vegas por Nicholas Pileggi (1995) e no filme Cassino é interpretado por Joe Pesci.

Antecedentes e início da vida

Nascido Anthony John Spilotro em 19 de maio de 1938, em Chicago, Illinois, Tony Spilotro foi um entre seis filhos. Seus pais, Pasquale e Antoinette Spilotro, eram imigrantes italianos que gerenciavam um restaurante, o Restaurante Patsy’s. Foi através dos negócios de sua família que o jovem Anthony primeiramente conheceu o crime organizado; Patsy’s era um lugar frequentado por mafiosos, e em que havia reuniões entre homens “honrosos” (“made men”) freqüentemente no estacionamento do point.

Spilotro e seus irmãos frequentemente se envolveram em atividades criminosas conjuntas, incluindo roubo à lojas e saca-carteiras. Spilotro tornou-se um tirano da máfia (bully) em idade bem nova e saiu do Ensino Médio de Steinmetz no segundo ano, passando a maioria do tempo envolvido no crime de pouco valor. Na idade de 16, ganhou sua primeira prisão por tentar roubar uma camisa. Fora multado em 10 US$ e colocado em liberdade condicional.

A prisão não surtiu efeito que contivesse as atividades criminosas de Spilotro e, nos próximos cinco anos, ele foi preso várias vezes. Mas a atividade de pequena escala já não era suficiente para Spilotro, e logo pôs o olho na maior família criminal de Chicago.

O Submundo do Crime de Chicago

Em 1962, Spilotro fez amizade com vários membros influentes do submundo de Chicago, incluindo Vincent Inserro “o Santo”, Joseph  Lombardo (“Joey o Bobo da Corte”) e o chefe da máfia Joseph Aiuppa – o “Joey Doves”. Spilotro juntou Sam DeStefano (“Sam o Louco”) na trupe nesse mesmo ano. DeStefano era considerado deveras imprevisível e indisciplinado para ser considerado como “um líder de verdade”, porém seu caráter sádico era muito procurado por seus chefes, como uma maneira de espalhar o medo e o terror.

Sob orientação de DeStefano, Spilotro finalmente conseguiu um contrato para assassinar Billy McCarthy e Jimmy Miraglia, dois ladrões de 24 anos conhecidos como “M & M Boys”. Durante o interrogatório, Spilotro torturou os homens, e os cadáveres dos dois foram encontrados pelas autoridades no porta-malas de um carro na zona sul de Chicago mais tarde, naquele ano.

Os assassinatos viciosos deram reputação a Spilotro para com mafiosos da área e lhe concederam o status de homem honroso, em 1963. Seu novo título também lhe carimbou um trabalho: controlando o território de apostas independentes na parcela noroeste de Chicago. Mas a posição de Spilotro também chamou a atenção da polícia local, bem como da mídia, que começou a se referir a Spilotro como “A Formiga”, em referência à sua estatura de 1,60m.

O Cara Marcado na Mira

Spilotro acabou, com isso, ficando marcado, e a polícia federal trabalhou duramente para pô-lo atrás das grades. Em novembro de 1963, o FBI conseguiu tornar Charles Grimaldi (apelidado “Chuckie”), um ex-membro da equipe de DeStefano, em uma testemunha federal. Grimaldi testemunhou contra Spilotro e DeStefano durante o julgamento de assassinato de Leo Foreman – um coletor de créditos que tinha cometido o erro de lançar DeStefano para fora de seu escritório, em maio daquele ano.

Foreman foi fisgado: atraíram-no a ir para a casa do irmão de DeStefano, Mario, aparentemente para jogar cartas. Uma vez lá, Spilotro e Grimaldi arrastaram sua vítima para a adega, onde Sam DeStefano espancou Foreman com um martelo e, em seguida, repetidamente o esfaqueou com uma picareta de gelo. Ele foi então baleado na cabeça e deixado no porta-malas de um carro abandonado. Apesar das evidências esmagadoras, Spilotro e DeStefano foram absolvidos.

O Submundo de Vegas

Apesar da pequena rixa de Spilotro com a lei, isso não o impediu de tocar os negócios, como de costume. Ao longo da década de 1960, ocorreu uma série de assassinatos em que o mafioso teria participado, mas nenhuma acusação foi oficialmente feita. Spilotro continuou a ganhar fama em todo o sindicato e, em 1971, Spilotro foi aproveitado por Aiuppa para substituir Marshall Caifano como representante da máfia em Las Vegas, Nevada.

Em seu novo papel, Spilotro trabalhou no esquema dos chefes de Chicago para roubar lucros de cassinos da área. Usando um frontman [espécie de “batedor”] como dono do cassino, a máfia então colocou um novo mafioso nas salas do cassino: Frank Rosenthal “Esquerdinha” – um mafioso que nunca poderia ser um homem “feito”, de acordo com as regras da máfia, pois era de ascendência sueca (fora adotado por uma família judaica), não de ascendência plena do sul da Itália. O trabalho de Rosenthal era acessar os quartos e remover o máximo de dinheiro possível (chamado de “sacadinha”) antes de ser registrado como renda.

O dinheiro foi então enviado de volta ao Sindicato de Chicago (também conhecido como a “ Chicago Outfit”) e a várias outras famílias da máfia. Para proteger os ativos da sabotagem, Spilotro foi contratado para manter um olhar atento sobre Rosenthal e os outros membros do Outfit. Uma vez em Las Vegas, Spilotro – sob o cognome Tony Stuart – assumiu a loja de lembranças do hotel Circus Circus, bem como o controle do submundo criminal de Vegas.

O primeiro passo de Spilotro foi exigir que todos os criminosos pagassem um imposto de rua para continuarem fazendo negócios. Quando não pagavam, eram ameaçados de morte. A próxima jogada de Spilotro ocorreu em 1976, quando ele abriu sua loja de joias e eletrônicos, The Gold Rush, em parceria com seu irmão, Michael e também com o apostador de aluguel de Chicago Herbert Blitzstein (ou “Herbie Gordo”).

– GANGUE DO BURACO NA PAREDE

The Gold Rush, loja localizada um bloco antes da faixa comercial de Vegas, tornou-se o lar da equipe de assaltantes de Spilotro – a qual, invadia: quartos de hotel, casas grã-finas e lojas de alto padrão e roubava seus bens. O grupo então repartia os artigos que roubavam. Por conta de terem, muitas vezes, aberto entrada para edifícios e lojas fazendo um buraco na parede (ou no telhado), eles “abraçaram” o apelido de Hole in the Wall Gang, GANGUE DO BURACO NA PAREDE.

O papel de Spilotro como enforcer, entretanto, foi impedido após a apreensão de Aladena Fratianno, o “Jimmy Doninha”, em 1977. Depois que Fratianno soube de um contrato acerca de sua vida, tornou-se informante do governo e testemunhou contra Spilotro. Consequentemente, a comissão do jogo de Nevada oficialmente pôs Spilotro na lista negra em dezembro de 1979. O gerenciamento, à modo legal, impediu Spilotro de estar fisicamente presente em alguns dos casinos do estado.

No entanto, isso não impediu que Spilotro continuasse a conduzir seus negócios. A Gangue do Buraco na Parede agora incluía o agente da Polícia Metropolitana de Las Vegas Joe Blasko e os membros da máfia Frank Cullotta, Leo Guardino, Ernest Davino, Sal Romano, Lawrence Neumann, Wayne Matecki, Samuel Cusumano e Joseph Cusumano.

Seus assaltos também se expandiram para incluir no perímetro três estados; havia rumores de que Spilotro já tinha começado, então, a traficar drogas com uma quadrilha de motociclistas. Ele tinha sido fisgado pela esposa de Rosenthal, também, e os dois estavam tendo um caso pouco menos que secreto. Apesar de seu revés nos casinos, Spilotro sentiu que ainda tinha Las Vegas pela cauda.

Queda

A máfia, no entanto, não estava satisfeita com a quantidade de atenção que Spilotro vinha atraindo para si mesmo. Ter entrado na lista negra e seu caso passional criaram dores de cabeça indesejáveis ​​para o Aparelho de Chicago. Nas mentes dos patrões da máfia, Spilotro estava dois a zero contra eles. Seu terceiro ponto no placar viria em breve…

Na noite de 4 de julho de 1981, a Gangue do Buraco na Parede tinha planejado um grande roubo à Bertha’s Gifts & Home Furnishings, no qual acreditavam que lucrariam pelo menos US$ 1 milhão. Mas, ao penetrarem no telhado, a polícia cercou a loja e prendeu Cullotta, Blasko, Guardino, Davino, Neumann e Matecki. Cada um deles foi acusado de roubo, conspiração para cometer roubo, tentativa de roubo e posse de ferramentas assassinas.

O roubo descuidado foi devido à deserção do especialista em sistemas de alarme do grupo, Sal Romano. Ele havia se tornado informante depois que autoridades o tinham identificado por outro crime e, assim, contou à polícia sobre o assalto planejado. Cullotta também virara testemunha do estado após ter descoberto que Spilotro tinha estabelecido um contrato sobre sua vida. O testemunho de Cullotta, entretanto, provou-se como evidência insuficiente, e Spilotro foi novamente absolvido.

Os patrões do Sindicato de Chicago não ficaram satisfeitos. Em suas respectivas opiniões respeitáveis, Spilotro tinha feito um espetáculo público de si mesmo em Las Vegas e teria que ser removido. Os irmãos Spilotro, conforme o testemunho posterior indicou, foram convocados para uma reunião com o entendimento de que Michael se tornaria um homem honrado (ou “homem feito”). Em vez disso, em 14 de junho de 1986, em um golpe envolvendo quase 12 outros mafiosos, os irmãos foram espancados e asfixiados antes de serem enterrados em um milharal em Enos, Indiana.

Filme e confissões posteriores

Em 1995, quase uma década após a morte de Spilotro, o filme Cassino, dirigido por Martin Scorsese e estrelado por Robert De Niro e Sharon Stone, foi lançado ao público ansioso. O personagem Nicky Santoro, interpretado pelo actor Joe Pesci, foi baseado em Spilotro.

Em 2007, durante a investigação Operação do governo Segredos da Família, com o objetivo de esclarecer assassinatos das gangues não resolvidos, vários homens confessaram os assassinatos de Spilotro. Albert Tocco e Nicholas Calabrese se declararam culpados de terem participado de uma conspiração que incluía ataques repentinos sobre Anthony e Michael. Em 27 de setembro de 2007, James Marcello foi considerado culpado por um júri federal dos assassinatos de ambos os irmãos Spilotro. Em 5 de fevereiro de 2009, ele foi condenado à prisão perpétua.

Spilotro, que foi substituído em Vegas por Donald Angelini, foi sobrevivido por sua esposa Nancy e filho Vincent.

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One Response

  1. Aleksandro Blumer
    17 de Abril de 2018

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