A série mafiosa old-style que você respeita: PEAKY BLINDERS, sucesso da Netflix

Se você vai gostar da série Peaky Blinders? ― é uma série “fascinante, de ritmo acelerado; É uma história que conta sobre os gângsteres de Birmingham pós-primeira guerra mundial” (The Guardian).  

Cillian Murphy é um nome que você também não quererá esquecer, já que o The Guardian o classifica como “o sempre tão legal Tommy Shelby” e parabeniza, também, ao restante do elenco da série por suas “performances poderosas”. Vai duvidar de uma crítica desse quilate?! 

Sei que o nome pode lhe parecer estranho, mas, se você tem alguma noção mediana de inglês, não será problema entender. O nome “Peaky” se refere às boinas que eles estão sempre usando e o nome “blinders” é um verbo, que indica que os caras cegam os outros; a gente fala um pouco mais sobre isso mais abaixo, porém tenha em mente que esses caras de boina são bem perigosos! 

A série é marcada por boas escolhas por parte dos produtores; um cenário ambientado no período pós-primeira guerra, começando em 1919, quase anos ‘20, muito bem feito. Roteiro e atores muito bem selecionados. Prova disso, é que a série tem diversas frases célebres como aquela “Toda religião é uma resposta tola para uma questão tola”, de nosso querido Tommy Shelby, ou ainda “Somos uma família bem próxima, sempre a distância de um soco na cara”, e por aí vai. Não queremos dar spoilers. 

Se você gosta da ditosa série Boardwalk Empire, aí então é que dificilmente não gostará de Peaky: ambas compartilham de características comuns como os temas e o contexto histórico. Aí foi uma dica boa de uma “double” maratonagem de séries! 

Apesar de não gostarmos de spoilers, abaixo você verá algumas lições que podem ser tiradas da série; não será nada profundo demais na história, para não estragar seu entretenimento e não sermos estraga-prazeres-alheios. 

5 LIÇÕES DE PEAKY BLINDERS

(Antes, das lições, porém, aí vai mais algumas características detalhadas; se você não gosta NADA de spoilers, pare aqui, mas creio que não há necessidade, pois não é nada muito REVELADORRR… Tá bom, se você é chato demais com isso, pule direto para a próxima cessão, e saiba o background histórico da série, na vida real)  

Então, ultimamente a galera que assiste parece levar um “pisão”: tão curtindo muito a série original da Netflix: Peaky Blinders. Se você ainda não viu nenhum episódio, recomendo que você corrija esse erro tolo imediatamente. Aqui vai um gostinho: 

É como uma combinação perfeita de todos os estilos televisivos que os americanos adoram, só que com um filtro britânico. Anti-herói moralmente ambíguo tentando se tornar grande? Confirma. Drama familiar? Confirma. Minoria oprimida lutando contra o sistema opressivo? Confirma. Sotaques britânicos acentuados? Checa. Sexo gratuito e violência? Nosso antivírus demonstra que há várias verificações. 

Mas, claro, essa série projeta insights além de seu valor básico de entretenimento, e decidimos analisar e escrever sobre alguns deles. Como já dissemos: leves SPOILERS a frente. 

#1 – ambição

É um espetáculo, que foca nas ações de Thomas Shelby (interpretado pelo incrível Cillian Murphy, já mencionado acima) enquanto ele tenta ganhar vantagem no submundo criminoso britânico para si e sua família. Sendo irlandês no início de 1900 na Grã-Bretanha, Thomas já está tendo várias desvantagens na vida. No entanto, ele tem objetivos claros do que quer realizar e, ao contrário de sua família e colegas, na verdade tem a ambição e o cérebro para tornar seus sonhos uma realidade, independentemente das consequências ou custos. 

#2 – companheirismo, camaradagem e família

Na maior parte da série, a ascensão e as ações de Thomas espelham as de seu rival, o inspetor Chester Campbell (interpretado por Sam Neill com um sotaque irlandês estranho). Ambos são indivíduos ambiciosos, implacáveis, inteligentes, astutos e perigosos em lados opostos da lei (embora não necessariamente em se tratando de espectro moral ou ético). De fato, Campbell se apercebe de suas semelhanças mais tarde, na primeira temporada; mas Thomas observa que, ao contrário de Campbell, Thomas tem sua família, então ele nunca estará sozinho, enquanto Campbell provavelmente morrerá assim. Isso nos leva à primeira lição de Peaky Blinders, e de muitas maneiras, é regra quando se faz parte de alguma minoria oprimida: quando se é confrontado com eventualidades dificílimas, família e companheiros vêm em primeiro lugar. 

Irmãos de sangue e de luta

Enquanto a devoção e o afeto de Thomas por sua família e entes queridos são explorados pelo Inspetor Campbell, essas qualidades são, em última análise, sua graça salvadora e força motriz. Além disso, são características que Campbell inveja em Thomas, pois ele sabe que é algo que ele não pode ter; família e amor real. Thomas consegue exasperar Campbell com esse conhecimento e compreensão a seu favor, em toda a série. 

#3 – vencendo a oposição

Thomas está tentando reescrever suas estrelas e criar um novo mundo ao seu redor. E isso geralmente requer um certo nível de ingenuidade cega e força de vontade impetuosa. Tudo e praticamente todo mundo está trabalhando contra ele, às vezes até sua própria família. O desgaste mental de um homem querendo mudar sua posição na vida; que robustez ele deve ter. No entanto, aqui ele está fazendo o que deve ser feito para fazer isso. É dentro desse labirinto de incerteza e caos que Thomas prospera. É provavelmente nessas situações que o público o vê como ele realmente é. 

#4 – a correta visão do(s) inimigo(s)/concorrente(s)

Para todos os de fora, ele é simplesmente um novato indigno, inconsciente de seu verdadeiro lugar na vida. Um cão latindo que deve ser domesticado e lembrado de sua posição; é isso que Thomas Shelby é para todos aqueles a quem ele se opõe. No entanto, é essa noção que dá a Thomas uma vantagem necessária porque, ao contrário de seus inimigos idiotas, ele não subestima a tenacidade, a inteligência ou a capacidade de sua oposição. Thomas usou todos os recursos disponíveis à sua disposição e nunca se considerou acima de seus inimigos porque sabia, com toda sua experiência de seu tempo na guerra, quais seriam os resultados de tal arrogância. 

Às vezes você tem que levar um bêbado com uma metralhadora pra guerra.

#5 – Assumindo que riscos são necessários de vez em quando

Mesmo assim, nada pode ser conquistado sem que se arrisque alguma coisa. Thomas está tentando construir um império legítimo que irá durar gerações para o clã Shelby aproveitar por muito tempo depois de sua morte. Ambições de natureza e escala tão altas exigem escolhas e sacrifícios severos. E Thomas está pronto para fazer essas escolhas ― ele manipula sua família, seus amigos e aliados. Ele mata aqueles que se opõem a ele e até aqueles que o chamam de irmão quando necessário. Ele é perfeitamente capaz e disposto a representar o rei, a coroa e a polícia para promover sua agenda. 

Thomas Shelby sabe quem e o que ele é. Ele sabe o que quer e o que será necessário para chegar lá. Ele está até disposto a se render e abrir mão de seu próprio coração para garantir o legado dele e de sua família. 

O Amor é sempre difícil quando ele trabalha para seu inimigo

Não saia imitando tudo que Thomas fez, pois o cara mata até familiares se for preciso; mas tenha em mente que, pra vencer na vida, alguns de seus valores (que são ecos de valores comuns das máfias) são essenciais para se ter em mente, no grau e modo certos, apropriados. 

Mas… você quer saber de onde veio tudo isso: todo o background real por trás da série? Continue lendo este artigo. 

Quem REALMENTE eram os Peaky Blinders?

Tommy Shelby é cativante ― mas os gangsters de Birmingham eram igualmente brutais 

O historiador britânico Carl Chinn pesquisou a verdadeira história por trás da glamorosa série Peaky Blinders, da BBC ― e admite que está impressionado com o quanto o programa fez por sua amada cidade natal.

Como estamos vendo, o drama-gângster Peaky Blinders conta a história de Thomas Shelby e sua gangue criminosa. Hipnotizante e sombria, a série se passa nas ruas de uma Birmingham pós-guerra, no raiar da década de 1920. No entanto, os personagens fictícios (que os espectadores passaram a amar) ecoam uma verdade que é tão dramática, sangrenta e comovente quanto os roteiros semanais da BBC. 

O historiador Carl Chinn pesquisou a verdadeira história por trás dessa glamourosa série ― e admite estar impressionado com o quanto o programa fez por sua amada cidade natal, segundo informações de Birmingham Mail.

A força policial original de Birmingham da década de 1890.

“Com sua cinematografia cativante, performances carismáticas e tema dramático, a série Peaky Blinders na BBC2 conquistou a atenção de telespectadores e críticos no outono de 2013 “, escreve Carl, que começou a pesquisar sobre essas notórias gangues de Birmingham nos anos 1980. 

“Estilosa e um tanto escura, foi projetada para se passar nas ruelas de Birmingham pós-Primeira Guerra Mundial e fala sobre a ascensão ao poder de Tommy Shelby e sua gangue criminosa, os Peaky Blinders. 

“Elegantemente vestidos, foram nomeados a partir da arma que costumam usar nas lutas: as palas de suas boinas achatadas nas quais navalhas de segurança haviam sido costuradas e que cortavam a testa de seus oponentes, fazendo com que o sangue escorresse de seus olhos e os cegasse”. 

Tommy Shelby lidera uma gangue criminosa na série de sucesso

Ainda assim, entretanto, a pesquisa de Carl tem atestado que é altamente improvável que esses gângsteres tenham usado lâminas de barbear em suas palas e que o nome provavelmente tenha acabado de sair das cartolas que eles escolheram usar. 

“É muito interessante olhar atrás, para a versão mitificada da história e [comparar com] a realidade”, diz Carl, que escreveu um novo livro chamado The Real Peaky Blinders (algo como “Quem eram os verdadeiros Peaky Blinders”). 

Não existia Tommy Shelby no mundo real, e os Peaky Blinders estavam entre nós por volta de 1890; ainda assim, a série se passa na década de 1920. 

“Quanto às lâminas de barbear? Elas estavam apenas começando a surgir a partir da década de 1890 e eram um artigo de luxo, muito caro para os Peaky Blinders terem usado. 

“E qualquer macho durão lhe diria que seria muito difícil conseguir se orientar e ainda obter poder com uma lâmina de barbear costurada na parte macia de um quepe. Foi uma noção romântica trazida do romance de John Douglas, Walk Down Summer Lane (Algo como “Um Passeio pela Avenida Summer”, em tradução livre). 

“Mas consigo entender por que os produtores da série usaram o nome; porque ele é infundido de estilo gângster. 

“E estou bem satisfeito [intelectualmente] de que as mulheres fortes e matriarcais sejam um aspecto enorme nesse espetáculo. Eu acho que a maioria dos homens da classe trabalhadora foi criada por mulheres fortes. 

“A série é emocionante e lindamente filmada. Tem conquistado atenção nacional e fez muito pela cidade de Birmingham.” 

Desenho em jornal mostrando um policial atirando em um peaky blinder na parte traseira

Membros de gangue dos Peaky Blinders em documento histórico pesquisado por Carl Chinn

Carl acredita que referências a pubs de Birmingham como o Garrison e a empresas como a BSA ajudam a evocar um poderoso “senso de localização” em meio ao enredo emocionante e em ritmo bem corrido. A pesquisa dele mostra que os Peaky Blinders foram seguidos por uma grande gangue pré-guerra chamada Brummagem Boys, composta por um “bocado de batedores de carteira, batedores de pega [corrida de rua] e pragas soltos, os quais estavam ganhando muito poder”.  

Na década de 1920, quando a série de TV é montada, um grupo chamado The Birmingham Gang surgiu, muitos dos quais vieram dos Brummagem Boys. Eles se tornaram a gangue mais temida do país. 

“Meu livro não é sobre a série de TV ― é sobre as pessoas reais por trás da história, e sua história é tão dramática, atraente e sangrenta como a série”, acrescenta. 

Imagem rara do Billy Kimber da vida real, enquanto jovem

A gangue de Birmingham era liderada por um temível gângster chamado Billy Kimber, um ex-Brummagem Boy que se tornou o gângster mais poderoso da Inglaterra. 

Na série de TV, o líder da gangue Tommy Shelby está traumatizado com a primeira guerra mundial, mas Carl não acredita que a guerra teve tanto impacto assim para alguém do tipo de Billy Kimber. “Billy Kimber desertou durante a guerra”, explica Carl. “Embora ele e outros membros da gangue possam ter ficado traumatizados pela guerra, eles eram em sua maioria homens violentos antes da guerra. 

“A luta que eles lutaram foi uma batalha cruel, alucinante. 

“Kimber era um homem muito inteligente, com um tino para luta, uma personalidade magnética e astuto o suficiente para valorizar a importância de uma aliança com Londres.” 

Enquanto explorava esses gângsteres notórios, Carl escreveu ao autor Graham Greene para perguntar sobre a pesquisa que ele havia realizado para seu famoso livro, Brighton Rock. 

Carl escreve: “Em uma carta que ele escreveu para mim em 1988, [Graham Greene] explicou que ‘meu romance Brighton Rock, realmente, lida um pouco com algo semelhante à gangue Sabini, mas agora já não me lembro mais o que eu tinha ou poderia ter tido em mente, quando o escrevi’”. E continua: “Naquela época eu costumava ir com frequência para Brighton e certa vez passei uma noite com um membro de uma gangue que me apresentou a uma certa quantidade de gírias em uso e me levou a um dos locais de encontro de seus colegas gângsteres. Mas os detalhes estão além dessa recordação, e não seriam bons para você.” 

Tommy Shelby à frente de um carro de lucho da época, no seriado

Carl acrescenta: “Eu achei que foi muito gentil da parte dele ter tido tempo de escrever a um jovem pesquisador. Fiquei bastante entusiasmado com isso.” 

Enquanto conduzia sua pesquisa, ele descobriu que muitas das famílias dos membros da gangue pouco sabiam do passado obscuro de seus ancestrais, simplesmente porque era algo que nunca era discutido. 

“Muitos membros de gangues não falavam sobre isso quando ficavam mais velhos, muitas vezes tinham vergonha do que tinham feito quando eram mais jovens”, explica ele. 

“Ao escrever o livro, não estou desculpando esse comportamento. Não é sobre romantizar porque, na realidade, foi brutal. 

“Muitos jornais nacionais [britânicos] ficam histéricos sobre as brigas de gangues [britânicas], mas é importante lembrar que elas não eram nada parecidas com a máfia americana. 

“Essas pessoas não são admiráveis, mas acho que é uma história que deve ser contada.” 

Esperamos que tenha curtido o artigo; quer saber sobre filmes e séries gângster, com muito estilo e lições valiosas?! Continue ligado no site! 

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