A Máfia favorece certas armas em vez de outras?

A pesquisa sobre o uso de suas armas é o primeiro passo para entrar nos mistérios da Mafia Siciliana. A um tempo a clássica arma da máfia era uma espingarda, ou seja, uma espingarda com a hastes serrada e carregada com chumbo grosso. Mas hoje a espingarda tornou-se menos eficaz em respeito a maioria das armas modernas, os mafiosos usam de tudo de acordo com as circunstâncias.

As armas usadas nos assassinatos por mafiosos revelam muito mais do que parece à primeira vista: o uso de uma arma em vez de outra explica como ela mudou a organização da máfia para realizar seus assassinatos.

Kalashnikov AK-47

Na Sicília, as armas falam, e falam também dos mortos. A chamada “guerra da máfia”, em 1981, foi inaugurada com tiros de Kalashnikov, uma metralhadora de fabricação soviética, nunca utilizado desde então por homens de honra.

O primeiro a morrer sob o impacto de uma Kalashnikov, em abril, foi o chefe da Mafia de Palermo Stefano Bontate. Em seguida, em maio, Salvatore Inzerillo. Então, novamente, em junho de 1982, Alfio Ferlito, um mafioso de Catania. E, em 3 de setembro, essa mesma Kalashnikov mata também General Carlo Alberto Dalla Chiesa e sua esposa Emanuela Setti Carraro.

A partir de um exame balístico, os investigadores descobriram que havia uma facção da máfia que lutava contra outra facção da Máfia.

Naqueles anos, não haviam as informações e conhecimentos que temos hoje da Cosa Nostra, ninguém sabia o que realmente estava acontecendo dentro da mesma organização: a AK-47 Kalashnikov foi como uma impressão digital. Abriu investigações que irão longe.

Àcido e Amarrçao

No assassinato mafioso nao tem nenhuma forma de fetichismo. Alguns é levado a pensar que quando os mafiosos, dissolvem suas vítimas em ácido, são mais cruéis que os outros criminosos. Eles fizeram isso com tantos inimigos do clã durante a “guerra da máfia”. Fizeram também com o pequeno Giuseppe Di Matteo, um menino de onze anos, filho de um arrependido. É uma maneira de matar que não serve para afirmar a sua ferocidade, mas sim, como uma pura e simples ferramenta de utilidade. Se um cadáver desaparece, será muito mais difícil investigar seu assassinato, coletar pistas e de entrevistar testemunhas. Os mafiosos são muito pragmáticos.

Sempre durante a guerra da máfia, fazia uma grande impressão aos palermitanos o ” incaprettamento ”  das vítimas que vem presa e amarrada com uma corda passada em torno aos tornozelos, braços e pescoço; por isso, quando os músculos das pernas fraquejaram, o ” incaprettamento “, a estrangulava.

Alguns dos arrependimento, ao serem questionados pelo Ministério Público, porque eles matavam com tanta crueldade, caíram nas nuvens: “Mas que crueldade“, eles responderam: “Nós os matamos, mas assim porque, em seguida, os corpos eram mais fáceis de transportar e esconder no porta malas do carro.”

Curiosidade – No início dos anos oitenta, em Palermo se espalha uma psicose: Todos controlavam os porta malas dos carros estacionados ao longo das ruas da cidade. Se o carro estava baixo, esmagada perto do asfalto, corria um arrepio ao longo das costas: significa que havia um peso que estava puxando-o para baixo, significava que havia alguém morto lá dentro.

Os mafiosos são muito racionais: matam somente se for necessário e útil, caso contrário, eles não matam. Calculam sempreos  os prós e contras de um assassinato. Às vezes, um inimigo morto pode fazer muito mais danos do que um vivo.

Um exemplo de um crime da máfia claramente “assinado”

O mais impressionante é o de Giovanni Falcone. Supõe-se que a Mafia mataria o juiz: Cosa Nostra tinha jurado e estava apenas esperando o momento certo para fazê-lo. A decisão final, já tinha sido tomada em dezembro de 1991, por Toto Riina e seus Corleonesi.

Um dos últimos arrependido Gaspare Spatuzza, revelou que – antes do massacre de  Capaci – ( circunstância onde Giovanni Falcone foi assassinado), o Juiz deveria ter morrido em Roma, em uma emboscada na Primavera de 1992.

As armas, os fuzis  e pistolas, para matar Falcone havia sido transportada de Roma pelo mesmo Spatuzza. Os mafiosos  já havia também feito uma  perseguição na frente de um restaurante onde habitualmente Falcone ia jantar. Não era difícil matá-lo em Roma, já que andava sem escolta. Era um alvo conveniente: uma emboscada do tipo tradicional com dois ou no máximo três pistoleiros, uma fuga simples.

Apesar desta favorável logística, Spatuzza recebeu a ordem de voltar para a Sicília. Não deveria mais matar Giovanni Falcone de forma “fácil”: deveriam fazer uma matança. E não em Roma, mas em Palermo. Uma emboscada em Roma, com pistolas e fuzis,com “armas menores”, definiu  Gaspare Spatuzza,  teria tido  um significado; um massacre em Palermo com TNT e uma cratera na estrada certamente teria outro significado.

Havia uma matriz diferente, uma matriz de tipo ” terrorista “, que a morte de Falcone deveria  ressaltar uma superficie clara: Cosa Nostra queria fazer saber, queria carregar aquela morte como esse significado.

Veja Também: 3 Formas de Matar da Mafia Italiana

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