A História completa da Máfia em Las Vegas

A percepção geral do público é que Las Vegas e a Máfia estão intimamente ligadas e, esta visão nunca vai ser mudada. Livros inovadores como “The Green Felt jungle”de 1963, que revelou início da máfia na cidade, e filmes populares como “O Poderoso Chefão” em 1972 e “Cassino” em 1995, reforçaram esta percepção ao longo dos anos.

Na realidade, Las Vegas foi considerada o quintal das maiores famílias da máfia em todo o país. Muitas dessas tinham representantes na “Cidade do pecado” durante décadas, sendo os representantes de Chicago os dominantes.

“A era da máfia colorida há muito tempo já passou, mas nunca pode ser esquecida”, diz o veterano ex-arquivista do estado de Nevada, Guy Rocha. “Temos uma dívida de gratidão para com a máfia pelo desenvolvimento de Las Vegas, e não há nada para se envergonhar”, disse Rocha. “Foi a máfia que movia Las Vegas para a frente, com o bom, o mau e o feio”.

O Começo: Bugsy Siegel

Benjamin “Bugsy” Siegel, gangster visionario e parceiro de confiança de Charles Lucky Luciano, que organizou a máfia de Nova York em um sindicato do crime nacional, tinha financiado o Flamingo com a ajuda de dinheiro da máfia dado por Meyer Lansky.

Sua visão para o “Flamingo”, o primeiro hotel e cassino de estilo resort, foi o início de um relacionamento de 50 anos entre Las Vegas e o crime organizado tradicional. Essa conexão ajudou a definir a “Sin City” e transformá-la em um dos pontos turísticos top do mundo.

Bugsy Siegel permaneceu no leme do “Flamingo” por apenas seis meses, até quando, em junho de 1947 foi morto em uma troca de tiros em Beverly Hills, Califórnia, na casa de sua namorada. Os historiadores acreditam que Siegel pode ter sido morto porque estava roubando dinheiro das operações do cassino. Fotos jornalísticas de seu corpo, crivado de balas e ensanguentado na casa de Beverly Hills são um lembrete austero do que pode acontecer quando passa o rolo compressor da máfia.

Meyer Lansky trouxe novos associados do submundo para tocar o Flamingo após a morte de Siegel, e o resort se tornou o modelo para uma série de negócios apoiadas pela máfia, incluindo o “Thunderbird” e “Desert Inn”, que mais tarde surgiram.

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Presença da Máfia em Las Vegas

“Você pode dizer que foi uma tempestade perfeita em um bom caminho para Las Vegas”, disse Michael Green, professor de história no College of Southern Nevada, enquanto narrava os detalhes da presença da máfia em Las Vegas. “Havia pessoas gerindo cassinos, que não eram da máfia, mas que não tinham o dinheiro para expandir, e havia pessoas que o tinham, mas não sabiam como gerir um cassino.”

Não demorou muito para que o envolvimento da máfia com cassinos de Las Vegas chamasse a atenção do senador Estes Kefauver, um democrata politicamente ambicioso do Tennessee que estava realizando audiências em todo o país sobre o crime organizado. Kefauver trouxe sua comissão para Las Vegas em 15 de novembro de 1950, com audiência no antigo edifício federal no centro, agora sede do Museu Nacional do Crime Organizado e Aplicação da Lei, mais conhecido como The Mob Museum (O Museu da Máfia).

Green, um membro do conselho consultivo e pesquisador do museu, disse que Las Vegas era prova para Kefauver e para outros guerreiros antimáfia de que o crime organizado crime era ruim e que não deveria gerir grandes negócios.

Uma das figuras ligadas à máfia que o comitê Kefauver queria interrogar sob juramento foi Moe Dalitz, um contrabandista dos velhos tempos em Cleveland, que havia liderado o grupo de investidores do cassino “Desert Inn”. Dalitz, que tinha fortes laços com Lansky, conseguiu parte da comissão, mas mais tarde acabou testemunhando em Detroit, onde também tinha interesses comerciais.

“Os interrogatórios de Kefauver goram televisionados e conectaram para sempre Las Vegas e a máfia aos olhos do público americano. Ainda inspiraram reformas e processos contra o crime orgainizado no resto do país”, disse Green. Mas nada retardou o crescimento de jogos de azar em Nevada, o único estado onde era legal, assim como não reduziu a influência da máfia em Las Vegas.

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Jogos de azar: A alma do Crime Organizado

Na década de 1950 houve o combate a mais cassinos ligados à máfia – o Sahara, Sands, Dunes, Riviera, Tropicana e Stardust. Vários foram financiados ou refinanciados com milhões de dólares em empréstimos dos fundo de pensão dominado pela máfia, o Teamsters Central States.

Dalitz, que era próximo do presidente do sindicato Teamsters, Jimmy Hoffa, na ocasião, desempenhou um papel fundamental quando ajudava a garantir alguns destes empréstimos e se tornou um dos pilares da sociedade de Las Vegas até a sua morte em 1989, tendo sido indicado, uma vez, como personalidade humanitária do ano para suas muitas contribuições filantrópicas.

Dalitz concretizou seus laços com a comunidade por meio da construção de Sunrise Hospital e do Desert Inn Country Club. O desaparecimento de Hoffa, em 1975, continua sendo um dos maiores mistérios do país.

O Livro Negro de “indesejáveis”

Em 1960, com a , os orgãos do governo que regulam os jogos criaram a lista de pessoas excluídas, mais conhecida como o Livro Negro de “indesejáveis”, para ficar de olho na máfia.

Na primeira lista, os reguladores puseram os nomes de 11 figuras do submundo, incluindo o então chefe da máfia de Chicago, Sam Giancana, e os senhores do crime de Kansas, City Nick e Carl Civella. Meses mais tarde, depois que o presidente John F. Kennedy foi eleito, seu irmão mais novo, Procurador-Geral Robert Kennedy foi em uma cruzada contra a máfia em todo o país e procurou livrar cassinos de Las Vegas de sua influência.

A campanha antimáfia de Kennedy

Bobby Kennedy acreditava que o jogo era a alma do crime organizado; para estrangular o crime organizado, teria de atacar os cassinos”, disse David Schwartz, diretor da Gaming Research Center da UNLV.

Segundo Green, o Procurador-Geral queria substituir uma série de agentes de jogos estaduais, lhes permitindo participar dos ataques maciços do Departamento de Justiça. Temendo que a situação se tornasse um pesadelo de relações públicas para o Estado, o então Governador Grant Sawyer convenceu os Kennedys a adiar o ataque, mas Bobby não cedeu à sua repressão e incluiu escutas telefônicas secretas em cassinos.

Pouco veio da campanha antimáfia de Kennedy, e a indústria de cassino continuou a crescer com financiamento do fundo de pensões Teamsters. O Caesars Palace abriu com o dinheiro de Teamsters em 1966 sob a tutela do cassino visionário Jay Sarno. Dois anos mais tarde, abriu Sarno Circus Circus.

“Basicamente, foi uma falha de estratégia”, disse Schwartz. “Eles pensavam que iriam levar as pessoas a escolher o lado legal, mas pelo visto, as pessoas tinham mais medo dos chefes da máfia do que do Departamento de Justiça.”

A Era Anthony Spilotro

No final dos anos 1960, o bilionário recluso Howard Hughes fez o que Kennedy não conseguiu: mudou a cara do jogo quando comprou o Desert Inn e vários outros cassinos dos proprietários ligados à máfia. A entrada de Hughes em Las Vegas levou a um impulso corporativo no que se refere à gerência da indústria do cassino.

Em 1969, a Legislatura de Nevada aprovou uma lei, facilitando o caminho para as corporações possuirem cassinos e, um ano depois, o Congresso aprovou a Lei R.I.C.O (Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act), dando ao Departamento de Justiça mais munição para lutar contra os sindicatos do crime.

“A Lei RICO tornou mais fácil ir atrás da máfia, e o Departamento de Justiça pode se esforçar mais em combatê-los”, disse Green.

Pela primeira vez, o Departamento de Justiça estava autorizado a usar estatutos criminais para investigar famílias mafiosas, como empresas criminais em atividade. Forças de ataque ao crime organizado foram criados em grandes cidades americanas, incluindo Las Vegas, para que suas ações se concentrassem exclusivamente nas atividades da máfia.

Mas o crime organizado estava longe de perder a sua posição na cidade. Agora veja quem esta chegando!!!

Em 1971, a máfia de Chicago enviou Anthony Spilotro à Las Vegas para que ele assumisse o controle da agiotagem e outras formas de extrosão no lugar de Marshall Caifano, um dos 11 membros da lista negra.

Spilotro também foi instruído a ficar de olho em Frank “Lefty” Rosenthal, um antigo dono de bancas de apostas (esportes, cavalos etc.) que estava no comando das operações de da família criminosa dona dos casinos Stardust e Fremont.

♠ Fatos Verdadeiros da Mafia por trás do filme “Cassino”

O dinheiro estava sendo levado diretamente das salas de contagem, pelos correios, para chefes da máfia em Chicago, Kansas City, Milwaukee e Cleveland, bem debaixo do nariz dos reguladores de jogos de Nevada. Os sindicatos do crime de San Diego puseram o empresário Allen R. Glick no comando do Stardust e Fremont como um frontman licenciado que, secretamente, respondia a Rosenthal e Spilotro. No Tropicana, foi dado o cargo de diretor de entretenimento a Joseph August. Sua tarefa era supervisionar silenciosamente a lavagem de dinheiro para a máfia de Kansas City.

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Acabando com o domínio da máfia

Spilotro, um “membro” que subiu nas fileiras da máfia de Chicago como guarda-costas e assassino, tocou suas extorsões em Las Vegas na loja de presentes do Circus Circus até que as autoridades o forçaram a sair. De lá, ele se mudou para a joalheria Gold Rush na Avenida West Sahara, onde se tornou adepto das joias roubadas com um de seus tenentes e amigos de infância predileto, Herbie “Fat Herbie” Blitzstein.

Spilotrto e sua Gangue 

Spilotro também comamdou um roubo e, mais tarde, sua gangue foi apelidada de “Gangue do buraco na parede” por causa de sua prática de fazer furos através das paredes e tetos dos edifícios que pretendiam entrar. Durante anos, Spilotro conseguiu ficar fora da prisão, tanto em Las Vegas quanto em Chicago, com a ajuda de seu fiel advogado de defesa criminal, Oscar Goodman.

Havendo cortejado relações com a mídia, ele se tornou o “porta-voz” franco de Spilotro e de outras figuras da máfia em um guerra de palavras com homens da lei. Mas em 1981, as autoridades federais começaram a fazer progressos em sua investigação intensiva sobre Spilotro, a máfia de Chicago e outras famílias do crime do meio-oeste, suspeitas de desvio do dinheiro dos cassinos. A operação de Spilotro tinha sido prejudicada e os principais membros da Gangue do buraco na parede foram detidos por meio de policiais disfarçados infiltrados no roubo da loja de presentes Bertha e, em seguida, na Avenida West Sahara.

Meses mais tarde, Frank Cullotta, um amigo de infância de Spilotro que foi preso com outros cinco no roubo, decidiu, por temer pela sua própria vida, a cooperar com a polícia de Las Vegas e agentes do FBI. A cooperação da Cullotta marcou o declínio do reinado de Spilotro nas ruas.

Em junho de 1986, como as autoridades federais mantiveram a pressão, os corpos ensanguentados de Spilotro e de seu irmão mais novo, Michael, foram encontrados enterrados em um milharal de Indiana. Anos mais tarde, os seus assassinos, que agiam sob ordens de chefes da máfia, seriam condenado em Chicago.

Na época do assassinato de Spilotro, as autoridades federais tinham condenado uma série de chefes da máfia do meio-oeste por desvio de dinheiro nos casinos Stardust, Fremont e Tropicana. Outras figuras da máfia tinham sido condenadas em Detroit e Las Vegas por serem influenciados ocultamente por Aladdin. A máfia tinha perdido o controle sobre Las Vegas, e as extorsões na rua diminuíram.

Anos 90 e 2000 – O Novo Crime Organizado

As autoridades federais e locais ficaram de olho no crime organizado tradicional na década de 1990, mas não conseguiram agir no mesmo nível de décadas anteriores. Em 1997, Blitzstein foi assassinado em um complô dos mafiosos de Buffalo e Los Angeles para assumir sua operação de agiotagem.

Na época, embora não no dia de sua morte, agentes do FBI faziam a vigilância de Blitzstein e de outros mafiosos, no que foi considerado o último grande inquérito de extorsão contra máfia em Las Vegas. Dois anos após a morte de Blitzstein, Goodman ingressou em uma nova carreira e foi eleito prefeito de Las Vegas, onde ele ocupou o cargo por 12 anos. Durante seu mandato, se esforçou para a criação do Museu da Máfia.

Cullotta, que está fora da prisão federal, mas sob o sistema de proteção a testemunhas, está fazendo sua parte, ainda nos dias de hoje, para manter vivas as memórias do crime organizado em Las Vegas. Ele comanda um negócio que oferece passeios em torno da cidade por onde vagam os espíritos dos velhos mafiosos.

As autoridades policiais também mudaram suas prioridades. Elas têm tomado conhecimento de grupos organizados mais sofisticados – aqueles com raízes na Ásia adeptos de trapacear os casinos, e os da Rússia e Leste Europeu bem informados sobre fraudes financeiras, cartão de crédito e crimes cibernéticos.

“O crime organizado tradicional pode ter sumido, mas sempre haverá crime organizado de algum tipo aqui, enquanto houver jogos de azar e o dinheiro que advém dele.”

Las Vegas e crime organizado, ao que parece, ainda são inseparáveis! Subscreve-te ao nosso blog! 

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